O reajuste da passagem semanal para estudantes de União dos Palmares, na Zona da Mata de Alagoas, acendeu um alerta sobre a permanência de universitários em cursos realizados em Maceió e em outros municípios. Relatos de alunos e familiares indicam que o custo do transporte tem provocado trancamentos, perda de períodos letivos e até abandono da graduação.
Na rota entre União dos Palmares e Maceió, a empresa Edtur elevou o valor semanal de R$ 90 para R$ 100. O novo preço começou a ser aplicado nas passagens referentes à semana iniciada no fim de outubro, conforme comunicado divulgado pela transportadora e confirmado por veículos locais. A empresa justificou o reajuste pelo aumento do óleo diesel, dos custos de manutenção e das despesas operacionais.
Segundo a Edtur, o litro do diesel, que antes custava entre R$ 6,60 e R$ 6,80, passou a ser vendido na faixa de R$ 7,40 a R$ 7,80. A transportadora afirmou que manteve o preço anterior pelo maior tempo possível e que a atualização seria necessária para garantir a continuidade do serviço, a manutenção dos veículos e as condições de segurança do transporte.
Para cada estudante, a despesa chega a pelo menos R$ 400 a cada quatro semanas. O impacto aumenta em famílias com mais de um universitário: com dois filhos utilizando o serviço, o gasto pode alcançar R$ 800 mensais, sem incluir alimentação, materiais, cópias, mensalidades ou outras despesas relacionadas à formação.
Uma estudante de Enfermagem, beneficiária de bolsa integral do Programa Universidade para Todos (Prouni), relatou que deixou de frequentar as aulas no período 2026.2 porque não conseguia arcar com o transporte e os demais custos acadêmicos. Ela afirmou estar trancando o curso com receio de perder a bolsa. Outro aluno disse ter perdido um período na Universidade Federal de Alagoas (Ufal) depois de deixar de comprar as passagens. Ele afirmou que só pretende retornar caso consiga transporte gratuito.
Também há relatos de estudantes que recebem menos de um salário mínimo e comprometem centenas de reais por mês com o deslocamento. Uma mãe solo, responsável por dois filhos com transtorno do espectro autista, afirmou que avalia abandonar a graduação diante do reajuste. Na rota para o Instituto Federal de Alagoas (Ifal), em Murici, estudantes também relataram aumentos: a passagem semanal teria passado de R$ 50 para R$ 55 em outubro e, posteriormente, para R$ 60.
Além do preço, alunos denunciam problemas nas condições dos ônibus, como cadeiras quebradas, falta de cintos de segurança, ar-condicionado sem funcionamento, sujeira e falhas mecânicas. Há ainda queixas de cobrança integral da semana mesmo quando o estudante não utiliza o serviço. As denúncias sobre a qualidade e as regras de cobrança ainda dependem de esclarecimentos formais das empresas responsáveis.
Durante a campanha eleitoral de 2024, o prefeito Júnior Menezes apresentou o programa “Toca pra Universidade”, com a promessa de facilitar o deslocamento de estudantes matriculados em instituições de outras cidades. Quase dois anos depois, universitários afirmam que a iniciativa ainda não foi implantada e cobram transporte gratuito ou, ao menos, um subsídio municipal para reduzir o impacto das passagens.
Uma petição criada por estudantes solicita a implantação de transporte universitário gratuito e supervisionado pelo poder público. Até a publicação desta reportagem, a Prefeitura de União dos Palmares, a Edtur, a Associação dos Discentes Universitários Palmarinos e os demais prestadores citados não haviam apresentado manifestação sobre as denúncias.






