O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou nesta terça-feira (27) como “vergonhosa” a saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil após a derrota no segundo turno da eleição presidencial. Segundo informações confirmadas pela Reuters, o parlamentar deixou o país com destino aos Estados Unidos depois de não cumprir uma ordem do Supremo Tribunal Federal (STF) para entregar os passaportes comum e diplomático à Polícia Federal.
Durante uma celebração no Palácio da Alvorada, em Brasília, Lula afirmou que Flávio desrespeitou os eleitores e a democracia ao deixar o Brasil menos de 48 horas depois do resultado. O presidente também disse que o senador deveria permanecer no país para responder às acusações e organizar a oposição, como havia afirmado que faria antes de desaparecer.
“Lamento a falta de respeito que ele teve com os eleitores dele. Faça como eu. Perdi em 1989 e fiquei aqui. Perdi em 1994 e fiquei aqui. Perdi em 1998 e fiquei aqui”, declarou Lula, ao comparar a postura de Flávio com a sua própria trajetória política.
O presidente ainda afirmou que “quem não deve, não teme” e sugeriu que a saída teria relação com as investigações que envolvem o senador. “O cidadão que sai escondido desse país deve alguma coisa”, disse. Flávio é investigado em inquérito conduzido pelo STF por suspeitas relacionadas a lavagem de dinheiro. Ele nega irregularidades.
Lula também criticou a relação da família Bolsonaro com os Estados Unidos. Ao comentar a possibilidade de acolhimento do senador e de seus familiares pelo governo norte-americano, afirmou que o Brasil seria a “segunda pátria” do grupo, enquanto os Estados Unidos seriam a primeira. Em outro momento, chamou os integrantes da família de “lambe-botas dos Estados Unidos”.
“Infelizmente, a família Bolsonaro é isso. O Brasil é a segunda pátria deles, a primeira é a devoção aos Estados Unidos”, afirmou o presidente, segundo relatos divulgados pela imprensa.
A saída de Flávio ocorreu um dia depois de o ministro Alexandre de Moraes determinar a entrega dos passaportes e proibir o senador de deixar o território nacional. A decisão foi tomada após declarações do deputado licenciado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, que havia defendido que ele deixasse o Brasil caso perdesse a eleição.
Na segunda-feira (26), Flávio publicou um vídeo nas redes sociais no qual negou que pretendesse deixar o país. Disse que entregaria os documentos e que permaneceria no Brasil para liderar a oposição ao governo Lula. No entanto, um aliado próximo confirmou à Reuters que o senador viajou para os Estados Unidos. Uma autoridade do governo norte-americano também informou que Flávio e sua família receberão vistos para entrar no país.
O paradeiro do senador chegou a ser associado à Argentina, mas o governo argentino afirmou não haver registro oficial de sua entrada. A Polícia Federal apura a rota utilizada. A situação também reacendeu comparações com a viagem de Jair Bolsonaro aos Estados Unidos após a derrota para Lula em 2022. O ex-presidente retornou ao Brasil meses depois.





