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Flávio Bolsonaro não reconhece derrota para Lula e anuncia pedido de anulação da eleição

O senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou na noite deste domingo (25) que não reconhece o resultado do segundo turno da eleição presidencial de 2026 e que pretende pedir à Justiça Eleitoral a anulação do pleito. Derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o candidato disse que considera impossível aceitar a votação nas condições em que ela ocorreu.

“É impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram. Nós vamos usar o nosso jurídico, vamos pedir a anulação dessas eleições”, declarou Flávio em pronunciamento realizado em Brasília. O senador também classificou como “inaceitável” a alteração no horário de votação determinada no dia da eleição.

Lula foi reeleito com 51,78% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro recebeu 48,22%. A diferença superou 4,4 milhões de votos, segundo os dados da totalização divulgados após o encerramento da votação. O resultado representou uma virada em relação ao primeiro turno, quando o candidato do PL havia terminado na liderança, à frente do atual presidente.

A principal justificativa apresentada por Flávio para contestar o resultado foi a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, que autorizou a continuidade da votação até as 19h em locais onde as urnas ainda estavam abertas às 17h. A medida foi tomada após relatos de dificuldades de transporte público e problemas de deslocamento de eleitores em algumas cidades.

Em comunicado divulgado no domingo, o Tribunal Superior Eleitoral informou que a prorrogação valeria apenas para as seções em que a votação ainda não havia sido encerrada. O tribunal também esclareceu que urnas já fechadas não seriam reabertas e que o recebimento dos boletins, a totalização e a divulgação dos resultados seriam retomados depois das 19h.

Flávio afirmou que a decisão provocou uma suposta “quebra total de isonomia” entre eleitores de diferentes estados. Segundo o senador, a mudança teria alterado as condições da disputa e impedido que sua campanha soubesse quantos votos poderia obter em regiões onde a votação não foi estendida. Ele também criticou a participação de Zanin no processo, lembrando que o ministro foi advogado de Lula antes de ser indicado ao STF.

A contestação ocorre apesar de a própria campanha de Flávio ter solicitado, mais cedo, a extensão do horário de votação em municípios de diferentes estados, alegando dificuldades causadas pelas chuvas. O pedido foi apresentado ao TSE antes do pronunciamento do candidato e passou a ser explorado por adversários como uma contradição na reação ao resultado.

O eventual pedido de anulação ainda terá de ser formalizado e analisado pela Justiça Eleitoral. Até o momento, não há decisão que suspenda a proclamação do resultado ou altere a vitória de Lula. O calendário oficial prevê a diplomação dos eleitos até 18 de dezembro de 2026 e a posse presidencial para 5 de janeiro de 2027.

A declaração de Flávio prolonga a tensão política após uma disputa marcada pela polarização e por uma diferença expressiva em números absolutos, embora apertada em termos percentuais. O senador não apresentou, no pronunciamento, provas de fraude na votação eletrônica, concentrando suas críticas na prorrogação do horário e na condução institucional do segundo turno.