A possibilidade de que Edson Davi esteja entre as crianças localizadas em uma operação nos Estados Unidos reacendeu a esperança da família, mais de dois anos depois do desaparecimento do menino na praia da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. A mãe, Marize Araújo, afirmou nesta quarta-feira (9) que foi informada sobre o acionamento da Interpol e que pretende entregar documentos do filho à Polícia Federal.
Edson Davi tinha 6 anos quando desapareceu, em 4 de janeiro de 2024. Ele acompanhava o pai, que trabalhava em uma barraca no Posto 4 da praia, e brincava com outras crianças nas proximidades. Segundo relatos reunidos na investigação, o menino foi visto pela última vez perto do mar, antes de deixar de ser localizado.
A nova expectativa surgiu depois da Operação Statewide Shield, conduzida por autoridades da Flórida. De acordo com o Departamento de Aplicação da Lei da Flórida, 163 crianças e adolescentes foram localizados e encaminhados para atendimento durante uma ação de cinco dias. Os menores tinham idades entre dois meses e 17 anos. A operação alcançou diferentes regiões dos Estados Unidos, além de seis estados, um território americano e 12 países.
As autoridades americanas, contudo, não divulgaram informações que relacionem publicamente Edson Davi ao grupo de crianças encontrado. Também não há, até o momento, confirmação oficial de que o menino esteja entre os menores localizados. A possibilidade passou a ser analisada pela família por causa do caráter internacional da operação e da informação de que alguns casos envolveram crianças encontradas fora da Flórida.
Segundo o relato da mãe divulgado nesta quarta-feira, o contato com a família teria ocorrido por meio do advogado que acompanha o caso. Marize informou que levaria os documentos de identificação de Edson à sede da Polícia Federal no Rio de Janeiro. A expectativa é que dados como registros civis, fotografias e informações biométricas possam ser comparados com os cadastros dos menores localizados nos Estados Unidos.
Desde o desaparecimento, a Polícia Civil do Rio analisou imagens de câmeras de segurança e ouviu testemunhas. A principal hipótese trabalhada pelos investigadores foi a de afogamento, já que não foram encontradas imagens que mostrassem o menino deixando a área da praia. A família, porém, contesta essa possibilidade e sustenta que Edson não teria entrado no mar. Os parentes também defendem que o caso deve ser investigado como possível rapto.
Em janeiro de 2026, quando o desaparecimento completou dois anos, a família voltou a cobrar respostas e afirmou acreditar que o menino poderia estar vivo. Ao longo da investigação, outras pistas envolvendo crianças parecidas com Edson foram verificadas, mas nenhuma se confirmou.
A localização de 163 menores nos Estados Unidos representa uma nova frente de apuração, mas não permite concluir que Edson Davi tenha sido encontrado. A confirmação dependerá do cruzamento oficial de informações entre as autoridades brasileiras, a Interpol e os órgãos responsáveis pela operação na Flórida. Até que essa análise seja concluída, a família mantém a esperança de obter uma resposta sobre o paradeiro do menino.






