Foi isso que aconteceu com a mãe das meninas que foram mortas pelo próprio pai no Dia dos Pais

Duas meninas de três e cinco anos foram encontradas mortas dentro de um carro na manhã deste domingo, 9 de agosto, na Rua Luiz Supertti, no bairro Jardim Guanabara, Zona Sul de São Paulo. O pai das crianças, um homem de 24 anos, se apresentou voluntariamente a uma delegacia da região, confessou o crime e foi preso em flagrante pelos crimes de homicídio e violência doméstica. A ocorrência chocou a cidade e reacendeu o debate sobre os riscos enfrentados por mulheres e crianças em contextos de separação marcada por agressões e ameaças.

A mãe das meninas prestou depoimento à polícia e relatou que vinha sofrendo perseguição e ameaças do ex-companheiro desde o fim do relacionamento, em março deste ano. O casal ficou junto por cerca de oito anos e teve as duas filhas. Segundo o relato da mulher, a separação ocorreu após episódios de agressão e traição. As agressões, no entanto, nunca haviam sido registradas formalmente em uma delegacia. Após o término, o homem passou a monitorá-la e a intimidá-la de forma reiterada.

No sábado, 8 de agosto, a mãe entregou as crianças à ex-sogra, que costumava ficar com as meninas nos fins de semana. Para evitar encontros diretos com o ex-companheiro, a entrega era feita em local intermediário. O pai morava no andar de cima da residência da própria mãe. No dia seguinte, após a mulher publicar uma foto com amigas nas redes sociais, ela recebeu uma mensagem do ex-companheiro afirmando que aquela seria a última vez em que veria as filhas. Ele havia buscado as crianças e informado que as levaria a um passeio.

Horas depois, familiares questionaram o homem sobre a demora no retorno. De acordo com o depoimento prestado à polícia, ele respondeu que ninguém mais veria as crianças e que planejava matá-las e, em seguida, tirar a própria vida. Na manhã de domingo, Dia dos Pais, o homem se apresentou no 48º Distrito Policial, em Cidade Dutra, e informou que havia matado as filhas. Policiais foram ao endereço indicado e localizaram os corpos das meninas dentro do veículo estacionado.

Imagens de câmeras de segurança da região mostram que o carro foi estacionado no local no final da noite de sábado e permaneceu ali por várias horas. O homem deixou o veículo na madrugada e se dirigiu à delegacia horas depois. A Polícia Civil registrou o caso e o suspeito permanece à disposição da Justiça. A motivação apontada no boletim de ocorrência envolve ciúmes em relação à ex-companheira.

O episódio expõe uma realidade dolorosa e recorrente: a dificuldade de muitas mulheres em denunciar situações de violência doméstica e o risco que a separação pode representar quando o agressor não aceita o fim do relacionamento. A mãe das vítimas afirmou que, apesar das ameaças e da perseguição, não havia registrado boletins de ocorrência anteriores. Especialistas em segurança pública e direitos humanos reiteram com frequência a importância de canais de denúncia e de medidas protetivas, ainda que reconheçam os obstáculos enfrentados por vítimas que temem retaliações ou não confiam plenamente no sistema.

O caso ganhou repercussão imediata nas redes sociais e em veículos de comunicação de todo o país. Muitos comentários destacaram a necessidade de maior atenção às situações de violência que envolvem crianças e à responsabilidade do Estado em oferecer proteção efetiva a famílias em situação de vulnerabilidade. Ao mesmo tempo, familiares e conhecidos da mãe expressaram solidariedade e solidariedade à mulher, que agora enfrenta o luto pela perda das duas filhas.

As investigações seguem em andamento. A polícia analisa depoimentos, mensagens e imagens de câmeras para consolidar o conjunto de provas. O homem preso responde pelos crimes e aguarda os desdobramentos processuais. Enquanto isso, a cidade de São Paulo registra mais um capítulo trágico de violência familiar que termina com a morte de crianças inocentes.

A tragédia serve como lembrete doloroso de que a violência doméstica não se encerra com a separação. Em muitos casos, o período posterior ao término do relacionamento é marcado por intensificação das ameaças e dos riscos. A denúncia precoce, o acompanhamento de medidas protetivas e o suporte de redes de apoio são apontados como caminhos essenciais para interromper ciclos de agressão antes que resultem em desfechos irreversíveis. A sociedade, as instituições e as famílias precisam continuar enfrentando esse problema com seriedade e urgência para que histórias como esta deixem de se repetir.