O Supremo Tribunal Federal (STF) não fez qualquer menção pública às mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e ao ministro Alexandre de Moraes durante a sessão plenária desta quarta-feira (2). Foi a primeira reunião dos dez integrantes da Corte após a divulgação de um relatório da Polícia Federal que detalha a proximidade entre o antigo controlador do Banco Master e autoridades.
A sessão começou por volta das 14h30, com a análise de processos previstos na pauta, entre eles uma discussão sobre a cobrança de ITBI em operações de incorporação imobiliária. O presidente do STF, Edson Fachin, abriu os trabalhos sem citar o caso. Moraes e o ministro André Mendonça, relator do inquérito relacionado ao Banco Master, sentaram-se lado a lado, mas não fizeram comentários sobre o episódio.
Mais cedo, durante um evento institucional, Fachin afirmou que os fatos seriam analisados “no devido tempo e sem precipitação”. Segundo o presidente da Corte, a definição sobre eventuais providências dependerá da conclusão da avaliação dos documentos e da observância dos procedimentos internos do tribunal.
O relatório da PF veio a público na terça-feira (1º), depois que Mendonça retirou o sigilo de parte dos autos. A investigação aponta que Vorcaro enviou mensagens a um número identificado pelos investigadores como pertencente a Moraes, inclusive nos dias que antecederam sua prisão, em 17 de novembro de 2025. Em algumas delas, o banqueiro teria perguntado sobre possíveis medidas contra o Banco Master e solicitado ajuda para acionar o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
A identificação dos diálogos foi baseada na perícia realizada no celular de Vorcaro. De acordo com a PF, ele escrevia os textos no aplicativo de notas do iPhone, fazia capturas de tela e depois enviava as imagens pelo WhatsApp usando o recurso de visualização única. Registros de aplicativos, arquivos temporários e a sequência de ações no aparelho teriam permitido associar as mensagens a um destinatário específico.
O material também menciona referências a pelo menos seis encontros entre Vorcaro e Moraes, entre 2024 e 2025. Há ainda informações sobre um contrato estimado em R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. A banca afirma que o acordo passou por procedimentos de compliance e que Moraes foi consultado apenas para verificar eventual impedimento legal. Uma segunda proposta, de R$ 50 milhões, não teria sido aceita.
Apesar das revelações, o relatório não apresenta prova de que os pedidos de Vorcaro tenham sido atendidos por Moraes, pelo chefe da PF ou pelo procurador-geral. Também não foram divulgadas eventuais respostas do ministro às mensagens. Moraes já havia negado, em episódio anterior, ter recebido conversas atribuídas a Vorcaro e classificou a associação de seu nome aos diálogos como uma tentativa de atingir o Supremo.
A decisão sobre levar o caso ao plenário ou adotar outras medidas caberá à presidência do STF, após a análise do material. Por enquanto, a estratégia pública da Corte é manter o tema fora das sessões e aguardar a tramitação formal da investigação.



