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Camila Pereira da Silva: quem era a mulher baleada e morta por PM em suposto surto em SP

Camila Pereira da Silva, de 32 anos, foi identificada nesta sexta-feira (16) como a mulher morta por um policial militar durante uma abordagem no Parque São Domingos, em Pirituba, na zona norte de São Paulo. O caso aconteceu na tarde de quinta-feira (15), quando agentes foram acionados após o ex-companheiro dela pedir ajuda e relatar que estava sendo perseguido por Camila, que carregava uma faca.

Imagens de câmeras de segurança mostram a mulher caminhando em direção a três policiais enquanto segurava o objeto. Segundo os depoimentos dos agentes, foram dadas ordens para que ela largasse a faca. O soldado André Coelho Maximo da Costa efetuou um disparo, que atingiu o tórax de Camila. Ela morreu no local.

A ocorrência foi inicialmente descrita como um possível surto psicótico. No entanto, familiares ouvidos pela Polícia Civil afirmaram que não tinham conhecimento de diagnóstico de transtorno psiquiátrico ou de acompanhamento de saúde mental. Uma tia relatou que Camila enfrentava problemas graves de saúde, estava havia cerca de dois anos na fila por um transplante de fígado e precisava realizar acompanhamento médico semanal. A condição, segundo a parente, a impedia de trabalhar.

Camila também era mãe de duas meninas. Pessoas próximas disseram que ela vivia um período de sofrimento emocional relacionado ao fim de um relacionamento. O namoro havia terminado aproximadamente cinco meses antes, mas, conforme os depoimentos registrados no caso, ainda havia conflitos entre os dois.

O policial que fez o disparo foi preso em flagrante por homicídio doloso. O delegado responsável pelo caso apontou, após analisar as imagens, uso desproporcional da força e afirmou que Camila não teria feito um movimento brusco de ataque no momento do tiro. A autoridade também considerou que os policiais estavam a distância suficiente para recuar e buscar alternativas de contenção.

O soldado declarou à investigação que não tinha habilitação para utilizar arma de incapacitação neuromuscular, conhecida como taser. A defesa sustentou que a prisão foi injusta e alegou que o agente agiu em legítima defesa. Durante audiência de custódia realizada nesta sexta-feira, a Justiça concedeu liberdade provisória ao policial, com medidas cautelares. Ele deverá permanecer afastado de atividades operacionais e de funções que exijam o porte de arma de fogo.

A Secretaria da Segurança Pública informou que abriu um Inquérito Policial Militar e que a arma utilizada foi apreendida para perícia. O episódio também é investigado pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa e acompanhado pela Corregedoria da Polícia Militar.

A morte de Camila é o terceiro caso semelhante registrado na capital paulista em 12 dias. Em 3 de outubro, Antonio Nunes Batista, de 40 anos, foi morto durante uma abordagem na Vila Dionísia, na zona norte. Em 10 de outubro, Gustavo Munis de Santana morreu após ser atingido por 27 disparos em Moema, na zona sul. Nos dois episódios, as vítimas também eram apontadas como pessoas em possível crise de saúde mental, e as condutas dos policiais passaram a ser investigadas.

A sequência de ocorrências ampliou o debate sobre o preparo das forças de segurança para atender pessoas em sofrimento psíquico e sobre o uso de armas letais em situações que, segundo especialistas e investigadores, exigem negociação, isolamento da área e acionamento de equipes de saúde.