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Bruna Loiola é sepultada no Maranhão; polícia apura se adolescente planejava ataque a escola

O corpo da estudante Bruna Loiola, de 17 anos, foi sepultado na manhã de quarta-feira (2), no povoado Buriti, em Água Doce do Maranhão. A jovem morreu na segunda-feira (31 de agosto), após ser atacada com uma arma branca no povoado Cana Brava, onde estudava. Familiares e moradores acompanharam o enterro em meio à comoção provocada pelo crime.

Bruna havia deixado a escola durante o horário do almoço e seguia para um salão de beleza. As primeiras informações divulgadas pela Polícia Militar apontavam que ela teria encontrado o adolescente suspeito durante o trajeto e discutido com ele antes de ser atingida por 21 golpes de faca. O jovem foi apreendido pouco depois e encaminhado à Delegacia Regional de Barreirinhas.

Novos detalhes apresentados pela Polícia Civil, porém, indicam uma dinâmica diferente. Segundo a investigação, Bruna teria chegado ao salão por volta das 13h10 e sido surpreendida pelo adolescente, que estaria com o rosto coberto e portando um punhal. A vítima teria corrido para dentro do estabelecimento, mas foi perseguida e alcançada em um imóvel próximo. No local, sofreu cerca de 20 perfurações, principalmente no abdômen e nos braços. As lesões nos membros superiores são compatíveis com tentativas de defesa.

A divergência entre os números divulgados inicialmente e os dados posteriores deverá ser esclarecida pela perícia. Também não há confirmação, até o momento, de que tenha ocorrido uma discussão antes do ataque. O adolescente permaneceu em silêncio ao ser ouvido pelo delegado, exercendo o direito previsto na legislação.

Uma das linhas investigadas envolve a possibilidade de que o adolescente tivesse a intenção de atacar uma escola. A hipótese surgiu depois que ele foi localizado com uma mochila contendo objetos que serão submetidos a exames periciais. Entre os materiais citados pelas autoridades e por relatos divulgados após a apreensão estão a faca ou punhal utilizado no crime, uma besta, dardos e artefatos de fabricação caseira com possível capacidade explosiva. A natureza e a funcionalidade desses itens ainda não foram confirmadas oficialmente.

As autoridades também apuram se o adolescente relatava ter sofrido bullying e se essa condição teria alguma relação com um eventual plano contra a unidade de ensino. Até agora, a polícia não confirmou a existência de um ataque planejado nem estabeleceu a motivação definitiva para a morte de Bruna. A investigação deverá reunir depoimentos, imagens, laudos e o resultado da perícia nos objetos apreendidos.

Após a apreensão, o adolescente foi apresentado ao Ministério Público, conforme o procedimento previsto para casos envolvendo menores de idade. A análise poderá resultar em arquivamento, remissão ou representação por ato infracional, além de eventual encaminhamento para internação provisória. A decisão sobre a medida socioeducativa caberá à Justiça da Infância e da Juventude, observando as circunstâncias do caso e os elementos reunidos no procedimento.

A morte da estudante mobilizou a comunidade de Cana Brava e provocou manifestações de pesar da escola e da Prefeitura de Água Doce do Maranhão. Enquanto a família realiza o luto, a Polícia Civil continua a apuração para definir com precisão como o crime aconteceu, quais materiais estavam na mochila e se havia, de fato, intenção de realizar um ataque contra a escola.