O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira, 8 de setembro de 2026, o afastamento de Andrei Augusto Passos Rodrigues do cargo de diretor-geral da Polícia Federal. A medida ocorre em meio ao agravamento da crise institucional envolvendo as investigações sobre o Banco Master e as relações do ex-banqueiro Daniel Vorcaro com autoridades públicas.
As primeiras informações divulgadas sobre a decisão indicam que o afastamento está relacionado a mensagens encontradas no celular de Vorcaro. Nos diálogos, o empresário teria mencionado Rodrigues como alguém com capacidade de atrasar ou dificultar o andamento de investigações que poderiam atingir o Banco Master. O conteúdo passou a integrar o inquérito conduzido no STF e foi revelado após Mendonça retirar o sigilo de documentos do caso, em 1º de setembro.
O afastamento não representa, neste momento, uma exoneração administrativa do diretor-geral. A decisão judicial impede que Rodrigues exerça as funções de comando da corporação enquanto os fatos são analisados. A substituição temporária e os efeitos práticos da medida ainda dependem de comunicação oficial e dos próximos atos do governo federal, responsável pela estrutura administrativa da Polícia Federal.
A decisão amplia um conflito que já vinha se tornando público entre Mendonça e a cúpula da PF. O ministro é relator de investigações relacionadas ao Banco Master e a suspeitas de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Nos últimos meses, ele adotou medidas para controlar o fluxo de informações dos inquéritos e determinou que mudanças nas equipes de investigação fossem comunicadas previamente ao seu gabinete.
Integrantes da Polícia Federal interpretaram essas determinações como uma interferência na gestão interna da corporação. A PF, por sua vez, buscou apoio da Advocacia-Geral da União (AGU) para contestar medidas atribuídas ao ministro. A AGU recusou o pedido, argumentando que não tinha competência para atuar, nos termos solicitados, em questões criminais e que uma intervenção poderia criar riscos jurídicos para as investigações.
O nome de Rodrigues também apareceu em um relatório de inteligência produzido pela própria Polícia Federal e citado pelo ministro Alexandre de Moraes em uma decisão de 3 de setembro. Segundo o documento, Mendonça teria afirmado que o diretor-geral mantinha uma proximidade inadequada com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e, por isso, não seria confiável para conduzir determinadas apurações. O relatório foi classificado como material sem valor probatório, e as informações nele reunidas ainda são objeto de disputa entre as autoridades.
Na mesma decisão, Moraes pediu que Mendonça fosse investigado por suspeitas de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade na condução dos inquéritos do Banco Master e do INSS. O presidente do STF, Edson Fachin, determinou que Moraes, Mendonça, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e Andrei Rodrigues apresentassem explicações sobre os episódios.
O afastamento ocorre, portanto, no momento de maior tensão entre o Supremo, a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República. Além das mensagens atribuídas a Vorcaro, o caso envolve acusações ainda não comprovadas de vazamento de informações, suspeitas de interferência em investigações e divergências sobre os limites da atuação de um ministro do STF na condução de inquéritos policiais.






