A Polícia Federal informou que nenhuma criança brasileira está entre as 163 localizadas durante a Operação Statewide Shield, realizada por autoridades da Flórida, nos Estados Unidos. A confirmação afasta, segundo a corporação, a possibilidade de que Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, estejam entre os menores encontrados na ação.
Os irmãos desapareceram em 4 de janeiro, na comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal, no Maranhão. Desde então, familiares, forças de segurança e voluntários participam das buscas, mas ainda não houve localização das crianças nem esclarecimento sobre o que ocorreu.
A possibilidade de que Allan estivesse entre os menores resgatados surgiu depois que uma imagem divulgada pelas autoridades norte-americanas mostrou uma criança ferida, usando um respirador e internada em uma cama. A mãe dos irmãos, Clarice Cardoso, identificou semelhanças físicas com o filho e procurou a Polícia Federal em São Luís para fornecer material genético que poderia ser comparado ao perfil da criança encontrada nos Estados Unidos.
Apesar da expectativa da família, a PF declarou, em nota divulgada na quarta-feira, 9 de setembro, que recebeu das autoridades norte-americanas a informação de que não há crianças brasileiras entre as 163 pessoas localizadas na operação. A advogada Nathaly Moraes, que representa a família, afirmou que não havia sido informada diretamente pela Polícia Federal sobre a ausência de brasileiros no grupo.
Antes da manifestação da PF, a defesa havia acionado mecanismos de cooperação internacional para tentar verificar a identidade dos menores encontrados. A mãe também pediu a inclusão de Ágatha e Allan na chamada Difusão Amarela da Interpol, ferramenta destinada a auxiliar na localização de pessoas desaparecidas fora do país de origem. O pedido ainda depende de análise da organização internacional.
De acordo com a Polícia Federal, cabe à própria Interpol decidir se o alerta será publicado e compartilhado com os países membros. A advogada afirmou que a ausência de documentos de identidade e de registros digitais das crianças dificulta eventuais cruzamentos automáticos de informações. Por isso, a comparação genética continua sendo apontada pela família como uma das formas mais seguras de confirmar ou descartar uma possível identificação.
A Operação Statewide Shield foi realizada entre 17 e 21 de agosto e teve como foco localizar crianças e adolescentes desaparecidos ou em situação de vulnerabilidade. A força-tarefa atuou em diferentes regiões da Flórida e também registrou localizações em outros estados norte-americanos, em um território dos Estados Unidos e em 12 países. As idades dos menores encontrados variavam de dois meses a 17 anos.
As autoridades da Flórida informaram que muitas das crianças tinham histórico de abuso, negligência, exploração ou exposição a atividades criminosas. O balanço, porém, não significa que todos os casos estejam relacionados ao tráfico de pessoas. A operação também resultou em prisões e na abertura de investigações criminais individuais.
Em Bacabal, as buscas pelos irmãos continuam. Os dois estavam acompanhados do primo Anderson Kauã, de 8 anos, quando desapareceram. O menino foi encontrado com vida alguns dias depois, debilitado, em uma estrada vicinal próxima à comunidade. Até o momento, as autoridades não divulgaram suspeitos nem uma conclusão sobre o desaparecimento de Ágatha e Allan.





