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Mulher de 41 anos morre após perfuração intestinal durante colonoscopia em hospital municipal de São Paulo

Mariana dos Santos Candido, de 41 anos, morreu na quarta-feira, 29 de julho de 2026, após sofrer uma perfuração intestinal durante uma colonoscopia realizada no Hospital Municipal Professor Doutor Alípio Corrêa Netto, em Ermelino Matarazzo, na zona leste de São Paulo. Segundo relatos da família, ela foi submetida a uma cirurgia de emergência, mas não resistiu às complicações.

O exame foi realizado pela Clínica de Endoscopia Salinas Ltda., empresa terceirizada que presta serviços à unidade municipal. A Secretaria Municipal da Saúde informou que abriu uma sindicância, em conjunto com a clínica, para apurar as circunstâncias do atendimento e verificar se os procedimentos adotados foram adequados. A pasta lamentou a morte e afirmou que acompanha a investigação.

O caso também foi registrado no 62º Distrito Policial como morte suspeita. De acordo com a Secretaria da Segurança Pública, o corpo foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML), onde seria submetido a exame necroscópico. O resultado da perícia poderá ajudar a esclarecer a causa exata da morte e a relação entre a perfuração, as intervenções realizadas e o desfecho clínico.

À imprensa, a tia da paciente, Mara Pongelupi, afirmou que Mariana fez a colonoscopia pela primeira vez e que teria ficado com cerca de 50% do intestino danificado. A familiar também contou que a mulher havia demonstrado medo do procedimento antes de realizá-lo. Essas informações são relatos da família e ainda não foram confirmadas oficialmente por um laudo médico ou pericial.

A colonoscopia é um exame que permite visualizar o interior do intestino grosso por meio de um tubo flexível com câmera. O procedimento é usado para investigar sintomas, identificar lesões e retirar pólipos, além de participar da prevenção e do diagnóstico do câncer colorretal. Embora seja considerado, em geral, seguro, pode provocar efeitos adversos, como sangramento, reações à sedação e, mais raramente, perfuração do intestino.

Diretrizes internacionais descrevem a perfuração como uma complicação incomum, cuja frequência varia conforme o tipo de exame, a condição do paciente e a realização de procedimentos terapêuticos, como a retirada de pólipos. Estudos e recomendações médicas apontam que o risco tende a ser maior em exames complexos ou quando há intervenções adicionais. A perfuração pode permitir o vazamento do conteúdo intestinal para a cavidade abdominal, causando inflamação grave, infecção generalizada e necessidade de tratamento urgente.

Quando há suspeita da complicação, sinais como dor abdominal intensa ou persistente, barriga rígida ou distendida, febre, queda da pressão e piora do estado geral exigem avaliação imediata. A conduta depende do tamanho e do local da lesão e das condições clínicas do paciente, podendo incluir observação, fechamento endoscópico, antibióticos ou cirurgia.

Até o momento, não há conclusão pública sobre eventual falha profissional, negligência ou erro médico no caso de Mariana. A sindicância administrativa, o inquérito policial e os exames periciais deverão reunir elementos sobre a execução do procedimento, o reconhecimento da perfuração, o atendimento de emergência e a causa definitiva da morte.