Próximo ao julgamento do pai, esse é o plano de Eduardo caso Bolsonaro seja p… Ler mais

A declaração do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) sobre sua possível candidatura à Presidência da República em 2026, caso seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, permaneça inelegível, agitou o cenário político brasileiro nesta sexta-feira (29). Em entrevista ao portal Metrópoles, diretamente dos Estados Unidos, onde reside desde fevereiro, Eduardo trouxe à tona um debate que há tempos ronda o bolsonarismo: quem será o sucessor de Jair Bolsonaro na liderança da direita brasileira? A fala do parlamentar não apenas reacende especulações sobre o futuro do movimento que marcou a política nacional na última década, mas também expõe os desafios de reorganização da direita em um contexto de incertezas jurídicas e políticas.
Eduardo, conhecido por sua postura combativa e alinhamento fiel às ideias do pai, parece disposto a assumir o protagonismo em um momento crucial. A inelegibilidade de Jair Bolsonaro, decorrente de decisões judiciais relacionadas a condutas durante seu mandato, impõe um vazio que o bolsonarismo precisa preencher para manter sua relevância. A escolha de Eduardo como potencial candidato não é surpresa. Ele tem se destacado como uma das vozes mais ativas do clã Bolsonaro, articulando-se tanto no Congresso quanto nas redes sociais, onde mantém uma base fiel de apoiadores. Sua presença nos Estados Unidos, embora geograficamente distante, não o desconectou do público brasileiro, já que ele segue participando ativamente do debate político por meio de entrevistas e postagens.
A possibilidade de uma candidatura presidencial de Eduardo levanta questões sobre sua capacidade de unificar a direita, que hoje se vê fragmentada entre diferentes lideranças e correntes ideológicas. O bolsonarismo, que nasceu como um movimento centrado na figura carismática de Jair Bolsonaro, enfrenta o desafio de se reinventar sem seu principal expoente. Eduardo, apesar de carregar o sobrenome e o legado político, terá que provar que pode ir além de ser apenas “o filho do Bolsonaro”. Sua trajetória como deputado, marcada por polêmicas e um discurso alinhado ao conservadorismo, pode tanto atrair quanto afastar eleitores que buscam uma renovação dentro do espectro direitista.
Além disso, o anúncio de Eduardo ocorre em um momento em que a política brasileira está polarizada e o governo atual enfrenta desafios para manter a estabilidade. A ausência de Jair Bolsonaro no pleito de 2026 pode abrir espaço para novos nomes, mas também intensifica a pressão sobre o PL e seus aliados para definir uma estratégia clara. Outros nomes da direita, como governadores e figuras emergentes, também buscam ocupar esse vácuo, o que pode gerar disputas internas e dificultar a coesão do movimento. Eduardo, ao se colocar como pré-candidato, sinaliza que o clã Bolsonaro não pretende abrir mão de sua influência, mas a viabilidade de sua candidatura dependerá de sua habilidade em mobilizar apoios e construir uma narrativa que ressoe com o eleitorado.
A declaração de Eduardo também reflete o peso do sobrenome Bolsonaro na política brasileira. Mesmo com Jair inelegível, a família segue sendo uma força relevante, com outros membros ocupando cargos no Legislativo e mantendo uma base de eleitores leais. Contudo, a candidatura de Eduardo não está isenta de obstáculos. Além de possíveis questionamentos jurídicos, ele terá que lidar com a desconfiança de setores que veem na sua ascensão uma tentativa de perpetuar uma dinastia política, algo que pode ser explorado por adversários como ponto de crítica.
O cenário para 2026 ainda está longe de se definir, mas a movimentação de Eduardo Bolsonaro indica que a direita brasileira está em busca de novos rumos. Sua eventual candidatura pode ser tanto um teste para o futuro do bolsonarismo quanto um reflexo da dificuldade de romper com a dependência da figura de Jair Bolsonaro. Enquanto isso, o debate sobre a sucessão na direita ganha força, prometendo uma disputa acirrada pela liderança de um eleitorado que, embora fiel, exige renovação e resultados. A fala de Eduardo, por ora, é apenas o primeiro passo em uma longa caminhada rumo às eleições, mas já é suficiente para reacender as paixões e as divisões que caracterizam a política brasileira.



