Política

Presidente do Supremo, Roberto Barros, admite que julgamento de Bolsonaro está sendo e…Ver mais

Na segunda-feira (25), o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Roberto Barroso, tratou de um assunto que tem gerado grande mobilização no Brasil: o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros sete réus envolvidos na chamada “trama golpista”.

Durante um evento na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em Brasília, Barroso reconheceu que o processo gera “algum grau de tensão” na sociedade, mas enfatizou que a decisão será baseada nas provas apresentadas e seguirá as normas constitucionais. Segundo ele, este é um episódio inevitável, considerando os eventos que marcaram a política brasileira nos últimos anos.

“Estamos vivendo um momento tenso com os julgamentos do dia 8 de janeiro e dos processos que a Procuradoria-Geral da República relaciona a uma tentativa de golpe de Estado. É claro que isso causa apreensão no país”, afirmou Barroso.

O ministro também fez uma análise histórica, recordando que o Brasil já enfrentou diversas tentativas de ruptura institucional ao longo de sua história. Para ele, chegou a hora de pôr fim a essa prática. “O julgamento é imprescindível. O Brasil precisa encerrar o ciclo de aceitação de rupturas da legalidade constitucional apenas porque não se concordava com o resultado das urnas”, destacou.

O processo contra Bolsonaro e seus aliados será julgado pela Primeira Turma do STF, que conta com os ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Luiz Fux, além do próprio Barroso. As sessões estão previstas para ocorrer entre os dias 2 e 12 de setembro e serão transmitidas ao vivo, respeitando o princípio da publicidade dos atos judiciais.

Entre os crimes imputados ao grupo estão organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado por violência e grave ameaça, além de deterioração de patrimônio tombado. Se condenados, as penas podem ultrapassar 30 anos de prisão.

Os acusados fazem parte do núcleo central da suposta articulação golpista, incluindo:

  • Jair Bolsonaro, ex-presidente da República;
  • Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin);
  • Almir Garnier, ex-comandante da Marinha;
  • Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança do DF;
  • Augusto Heleno, ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional;
  • Paulo Sérgio Nogueira, general e ex-ministro da Defesa;
  • Walter Braga Netto, ex-ministro e candidato a vice na chapa de Bolsonaro em 2022;
  • Mauro Cid, tenente-coronel e ex-ajudante de ordens do então presidente.

O julgamento é visto como um marco potencial para a política brasileira. Enquanto alguns o consideram um avanço na defesa da democracia e da Constituição, outros o veem como uma forma de perseguição política. Independentemente da perspectiva, a expectativa é que o STF conduza as sessões com transparência e respeito ao devido processo legal.

Com o país em alerta, a decisão final terá impactos significativos, independentemente do resultado. Como destacou Barroso, este é um momento de “encerramento de ciclo” para o Brasil, reafirmando a necessidade de respeito às instituições e ao Estado Democrático de Direito.