“Humilhação com Michelle e Laurinha”, diz Flávio sobre decisão de Moraes

A recente decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, de ampliar o monitoramento policial na área externa da residência do ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília, gerou uma forte reação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em suas redes sociais, Flávio classificou a medida como uma “humilhação” à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e à filha do casal, Laura, de 14 anos, além de considerá-la uma invasão de privacidade e uma ação ilegal. A determinação, que inclui a presença de agentes da Polícia Penal do Distrito Federal e a vistoria de veículos que entram e saem da casa, foi justificada por Moraes como uma forma de evitar uma possível fuga de Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar desde o início de agosto, usando uma tornozeleira eletrônica.
Flávio Bolsonaro não mediu palavras ao criticar o ministro, acusando-o de parcialidade e de antecipar a pena de seu pai, que é réu em um processo que apura uma suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Segundo o senador, a decisão de Moraes cria uma nova modalidade de regime prisional, ironicamente chamada por ele de “fechado com acompanhantes”, e reforça a percepção de que o magistrado não teria condições de atuar na mais alta corte do país. A medida, que ocorre às vésperas do julgamento de Bolsonaro no STF, marcado para começar em 2 de setembro, também foi alvo de críticas de aliados do ex-presidente, como Fabio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação, que a classificou como uma “provocação barata” destinada a desestabilizar o político.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também se manifestou, utilizando suas redes sociais para expressar indignação. Em um tom que mescla desabafo e fé, ela afirmou que enfrenta um “enorme desafio” ao lidar com o que chama de perseguição e humilhações. Michelle destacou sua resiliência, declarando que “Deus é bom o tempo todo” e que acredita na vitória, em meio a um cenário de crescente pressão jurídica e política sobre a família. A decisão de Moraes foi motivada por preocupações levantadas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República, que apontaram “pontos cegos” na residência de Bolsonaro, capazes de interferir no funcionamento da tornozeleira eletrônica, além de indícios de um possível risco de fuga, reforçado pela descoberta de uma minuta de pedido de asilo político à Argentina no celular do ex-presidente.
O caso tem gerado intensos debates, com apoiadores de Bolsonaro denunciando o que consideram uma escalada de medidas autoritárias contra o ex-presidente, enquanto críticos defendem a necessidade de vigilância rigorosa diante das acusações graves que pesam sobre ele. A proximidade do julgamento da chamada “trama golpista” intensifica o clima de tensão, com reflexos que vão além da esfera judicial e alcançam o campo político. A família Bolsonaro, por sua vez, segue mobilizando sua base de apoio, utilizando as redes sociais para reforçar a narrativa de vitimização e resistência frente ao que chamam de injustiça. Resta saber como essa nova etapa do embate entre o ex-presidente e o STF influenciará o desfecho do processo e o cenário político brasileiro.



