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Reunião de Jair Bolsonaro com Enviado de Donald Trump: Bastidores e Implicações

Na última segunda-feira, 5 de maio de 2025, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) recebeu em sua residência, em Brasília, uma delegação do Departamento de Estado dos Estados Unidos, liderada por David Gamble, chefe interino da Coordenação de Sanções, e acompanhada pelo conselheiro sênior Ricardo Pita. A reunião, que durou cerca de duas horas, foi confirmada pelo próprio Bolsonaro e por seus filhos, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). O encontro, amplamente divulgado por aliados do ex-presidente nas redes sociais, gerou intensas especulações sobre os temas discutidos e as possíveis implicações políticas, tanto no Brasil quanto no cenário internacional. Este artigo explora os bastidores desse evento, com base em informações apuradas por veículos como CNN Brasil, BBC News Brasil, Folha de S.Paulo e Gazeta do Povo, além de postagens em redes sociais.

O Contexto da Reunião

A visita da comitiva americana ocorre em um momento delicado para as relações entre Brasil e Estados Unidos, marcadas por tensões desde a posse de Donald Trump em janeiro de 2025. Oficialmente, a embaixada dos EUA informou que a delegação veio para discutir questões relacionadas ao combate a organizações criminosas transnacionais, terrorismo e tráfico de drogas. No entanto, fontes ouvidas pela CNN Brasil e pela BBC News Brasil indicam que a pauta incluiu temas sensíveis, como supostas violações à liberdade de expressão no Brasil e a possibilidade de sanções contra autoridades brasileiras, especialmente o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

Bolsonaro, que se recupera de uma cirurgia recente, foi descrito como apto para receber a comitiva, apesar de preocupações iniciais do governo Trump sobre sua condição de saúde. A presença de Flávio e Eduardo Bolsonaro reforça a articulação da família em manter laços estreitos com a administração Trump, numa tentativa de fortalecer a oposição ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e, possivelmente, reverter a inelegibilidade de Jair Bolsonaro, que vigora até 2030.

Os Bastidores: O Que Foi Discutido?

Embora os detalhes da conversa sejam mantidos sob sigilo, postagens no X e declarações de aliados de Bolsonaro sugerem que o ex-presidente aproveitou o encontro para denunciar o que chama de “perseguição política” e “ameaças à democracia brasileira”. Segundo Eduardo Bolsonaro, em publicação no X, Ricardo Pita teria manifestado apoio ao ex-presidente e prometido levar suas mensagens a Washington. Bolsonaro também teria alertado sobre “ameaças aos interesses dos EUA na região”, conforme relatado pela Gazeta do Povo.

Um dos pontos de maior especulação é a possibilidade de sanções contra Alexandre de Moraes, que tem sido alvo de críticas de bolsonaristas e de setores conservadores americanos por suas decisões no STF, incluindo a suspensão da plataforma X no Brasil em 2024 e a condução de inquéritos contra aliados de Bolsonaro. Eduardo Bolsonaro já havia mencionado Moraes diretamente em postagens sobre a visita da comitiva, embora Flávio Bolsonaro tenha negado que sanções contra o ministro tenham sido discutidas em sua reunião com Pita. Fontes próximas a Bolsonaro, citadas pela Folha de S.Paulo, indicam que funcionários do governo Trump veem com bons olhos a aplicação de sanções, mas evitam nomear interlocutores específicos.

Outro tema abordado, segundo Flávio Bolsonaro, foi a suposta ligação entre facções criminosas brasileiras e organizações terroristas, como o Hezbollah. Curiosamente, aliados de Bolsonaro destacaram nas redes sociais que o governo Lula tem resistido em classificar facções como o PCC como grupos terroristas, o que poderia ser explorado politicamente pela oposição.

Reações e Implicações Políticas

A reunião foi amplamente celebrada por apoiadores de Bolsonaro nas redes sociais. Usuários como @osociotario e @RonaldoSouzaBr2 destacaram a duração do encontro e os temas discutidos, reforçando a narrativa de que Trump poderia desempenhar um papel na “reabilitação” política de Bolsonaro. Uma postagem de @RicardoServulo chegou a afirmar que Bolsonaro acusou o “T5E” (sic, possivelmente uma referência ao TSE) de atuar com “mão pesada” para removê-lo da Presidência, embora não haja confirmação oficial dessa declaração.

Do lado oposto, o governo Lula minimizou o impacto da reunião. O Ministério da Justiça e Segurança Pública confirmou um encontro com a comitiva americana na terça-feira, 6 de maio, mas destacou que a pauta se restringiu a segurança pública e combate ao crime organizado. O Ministério das Relações Exteriores e a assessoria internacional da Presidência, comandada por Celso Amorim, não tinham reuniões agendadas com a delegação, sugerindo um distanciamento estratégico do Planalto.

Analistas políticos, como o ex-chanceler Aloysio Nunes, entrevistado pela CNN Brasil, avaliam que Bolsonaro tem pouca relevância para a política externa americana. Nunes afirmou que Trump vê o ex-presidente como “uma carta fora do baralho” devido à sua inelegibilidade e às investigações criminais em curso, incluindo a denúncia por tentativa de golpe de Estado, aceita pelo STF em abril de 2025.

O Papel de Trump e as Expectativas Bolsonaristas

A aproximação entre Bolsonaro e Trump não é novidade. Desde 2019, os dois líderes cultivam uma relação marcada por afinidades ideológicas, como o conservadorismo social e críticas à imprensa. A vitória de Trump em 2024 reacendeu as esperanças de bolsonaristas, que veem no presidente americano um potencial aliado para pressionar o governo Lula e o STF. A presença de Eduardo Bolsonaro nos EUA, onde ele tem se reunido com figuras do governo Trump, e a participação de uma comitiva bolsonarista na posse de Trump em janeiro de 2025 reforçam essa estratégia.

No entanto, especialistas ouvidos pela BBC News Brasil apontam que as expectativas de Bolsonaro podem ser frustradas. A administração Trump, embora simpática a pautas conservadoras, tem prioridades domésticas e geopolíticas que superam o interesse em interferir diretamente na política brasileira. Além disso, qualquer tentativa de sanções contra autoridades brasileiras enfrentaria resistência diplomática e poderia agravar as relações bilaterais.

Conclusão

A reunião de Jair Bolsonaro com a comitiva de Donald Trump em 5 de maio de 2025 foi um evento carregado de simbolismo político, mas com resultados concretos ainda incertos. Para Bolsonaro e seus aliados, o encontro representa uma oportunidade de manter relevância no cenário nacional e internacional, explorando a narrativa de “perseguição política” para mobilizar sua base. Para o governo Lula e o STF, o episódio reforça a necessidade de cautela diante de possíveis pressões externas. Enquanto os bastidores seguem sendo especulados, o desdobramento desse diálogo dependerá da disposição de Trump em se envolver nas disputas políticas brasileiras e da capacidade de Bolsonaro em transformar apoio simbólico em avanços práticos.

Fontes:

  • CNN Brasil
  • BBC News Brasil
  • Folha de S.Paulo
  • Gazeta do Povo
  • Postagens no X