Fãs ficam chocados ao descobrirem que atriz Nicette Bruno, já faleceu

No dia 20 de dezembro de 2020, o Brasil se despediu de uma de suas maiores estrelas, Nicette Bruno, que faleceu aos 87 anos, vítima de complicações da Covid-19. Internada desde o final de novembro na Casa de Saúde São José, no Rio de Janeiro, a atriz lutou bravamente, mas não resistiu às consequências da doença que marcou aquele ano tão difícil. Nicette, cujo talento atravessou gerações, deixou um legado imenso no teatro, na televisão e no cinema brasileiros, sendo lembrada não apenas pela sua genialidade artística, mas também pela generosidade, carisma e dedicação que inspiraram colegas e admiradores.
Nascida Nicete Xavier Miessa em 7 de janeiro de 1933, em Niterói, Rio de Janeiro, ela começou sua carreira ainda criança, aos 4 anos, no rádio, já demonstrando o talento que a tornaria uma das maiores damas da dramaturgia nacional. Filha de uma família apaixonada pelas artes, Nicette cresceu imersa na cultura e, aos 14 anos, fundou, ao lado de amigos, o Teatro Universitário Brasileiro, um marco em sua trajetória. Sua estreia na televisão veio na década de 1950, na TV Tupi, onde participou de teleteatros e novelas pioneiras, ajudando a moldar o início da teledramaturgia no Brasil. Ao longo de mais de sete décadas de carreira, ela acumulou papéis memoráveis, transitando com facilidade entre o drama, a comédia e personagens históricos.
Na televisão, Nicette brilhou em diversas novelas que marcaram época. Um de seus papéis mais queridos foi Dona Benta, a sábia e carinhosa avó do Sítio do Picapau Amarelo, na versão exibida pela Globo entre 2001 e 2006. Sua interpretação trouxe ternura e autenticidade à personagem, conquistando crianças e adultos. Outro destaque foi na novela A Casa das Sete Mulheres (2003), onde viveu Dona Ana Joaquina, uma figura forte e maternal em meio à Guerra dos Farrapos. Em Salve Jorge (2012), ela deu vida à doce Dona Leonor, uma personagem que cativava pela simplicidade e bondade. Já em Éramos Seis (2019-2020), sua última novela, Nicette emocionou o público como Madre Joana, uma freira que representava serenidade e sabedoria, encerrando sua carreira com uma atuação marcante que reforçou seu talento atemporal.
Além das novelas, Nicette também teve papéis significativos em minisséries e seriados, como Labirinto (1998) e Joia Rara (2013), onde interpretou Dona Santinha, uma personagem que misturava humor e emoção. No teatro, sua verdadeira paixão, ela fundou o Teatro de Alumínio, ao lado do marido, o ator Paulo Goulart, com quem foi casada por quase 60 anos até o falecimento dele em 2014. Juntos, formaram uma família dedicada às artes, com os filhos Beth Goulart, Bárbara Bruno e Paulo Goulart Filho seguindo os passos dos pais. O casal também criou o Teatro Intímo Nicette Bruno, um espaço dedicado à formação de novos artistas e à valorização da cultura.
Nicette era conhecida não só pelo talento, mas pela forma como vivia a arte com paixão e compromisso. Sua presença nos bastidores era marcada por profissionalismo e carinho, sempre incentivando colegas e compartilhando sua experiência. Sua partida, em um momento em que o mundo enfrentava a pandemia, foi um golpe para o meio artístico e para o público, que a admirava não apenas como atriz, mas como um símbolo de resiliência e amor à profissão. Mesmo após sua morte, Nicette Bruno continua viva em suas atuações, que seguem sendo reprisadas e descobertas por novas gerações, eternizando uma carreira que é parte fundamental da história cultural do Brasil.



