Brasil inteiro chorando: Mc Poze é preso, o motivo deixa todos em choq.. Ver mais

Prisão de MC Poze do Rodo: Entenda o Caso e os Motivos
Na madrugada de 29 de maio de 2025, o cantor de funk Marlon Brandon Coelho Couto Silva, mais conhecido como MC Poze do Rodo, foi preso em sua residência, localizada em um condomínio de luxo no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio de Janeiro. A operação, conduzida pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) da Polícia Civil, gerou grande repercussão e levantou debates sobre a relação entre o funk, a liberdade de expressão e a criminalidade. A seguir, detalhamos o que aconteceu, os motivos da prisão e as reações ao caso.
O que aconteceu?
MC Poze foi detido em uma operação policial que envolveu o cumprimento de um mandado de prisão temporária e busca e apreensão em sua casa. Durante a ação, os agentes apreenderam itens de alto valor, como uma BMW X6 avaliada em mais de R$ 1 milhão, joias, relógios de luxo e celulares. Vídeos divulgados mostram o momento em que o cantor, descalço e sem camisa, foi algemado e conduzido pelos policiais. Ele foi levado para a Cidade da Polícia, no Jacarezinho, e posteriormente transferido para a Polinter, onde aguarda audiência de custódia no presídio de Benfica.
Ao deixar a delegacia, Poze declarou à imprensa que considera a prisão uma “perseguição”, afirmando: “Isso é perseguição, mané. Não tem prova de nada.” Ele questionou o uso de algemas e criticou o tratamento recebido, sugerindo que as autoridades deveriam focar em criminosos nas comunidades, e não em artistas como ele.
Por que MC Poze foi preso?
A prisão de MC Poze está fundamentada em duas principais acusações: apologia ao crime e associação ao tráfico de drogas, com suspeitas de envolvimento com a facção criminosa Comando Vermelho (CV), uma das maiores organizações do tráfico no Rio de Janeiro. As investigações da Polícia Civil apontam que:
- Apologia ao crime: As letras das músicas de Poze, segundo as autoridades, promovem o tráfico de drogas, o uso ilegal de armas de fogo e incitam confrontos armados entre facções rivais. A polícia argumenta que essas letras extrapolam os limites da liberdade de expressão artística, configurando o crime de apologia, previsto no Artigo 287 do Código Penal Brasileiro, com pena de 3 a 6 meses de prisão ou multa. Trechos de suas canções, como menções explícitas ao Comando Vermelho e à “narcocultura”, foram citados como evidências.
- Associação ao tráfico e vínculo com o Comando Vermelho: A DRE alega que MC Poze realiza shows exclusivamente em comunidades dominadas pelo Comando Vermelho, com a presença ostensiva de traficantes armados, que atuariam como “segurança” dos eventos. Esses shows seriam financiados pela facção, funcionando como uma estratégia para lavar dinheiro do tráfico, promover a organização criminosa e aumentar a venda de drogas nas comunidades. A polícia também investiga a gravadora Mainstreet, da qual Poze faz parte, por suposto envolvimento com o CV, embora a defesa negue qualquer ligação direta.
Durante a operação, foram apreendidas joias com símbolos que, segundo os investigadores, fariam referência ao Comando Vermelho. A BMW X6, registrada em nome de uma empresa ligada ao cantor, também está sob análise por suposta adulteração, já que sua cor original no registro é preta, mas o veículo foi encontrado pintado de vermelho.
Contexto e histórico de polêmicas
MC Poze, nascido na Favela do Rodo, em Santa Cruz, Zona Oeste do Rio, é uma figura conhecida tanto pelo sucesso musical quanto por polêmicas envolvendo a polícia. Ele já admitiu ter atuado como traficante entre 2015 e 2016, mas afirma ter abandonado o crime para se dedicar à carreira artística. No entanto, seu nome já esteve ligado a outras investigações:
- 2019: Poze foi preso em Sorriso, Mato Grosso, durante um show, acusado de apologia ao crime, corrupção de menores e tráfico de drogas. Ele foi liberado após audiência de custódia, e sua defesa negou as acusações, alegando que ele não organizava os eventos.
- 2020: O cantor foi denunciado pelo Ministério Público por associação ao tráfico devido a um baile funk no Jacarezinho. Ele chegou a ser considerado foragido, mas conseguiu a revogação da prisão preventiva. Em 2024, foi absolvido nesse caso por falta de provas.
- 2024: Poze e sua esposa, Vivi Noronha, foram alvos da Operação Rifa Limpa, que investigava sorteios ilegais nas redes sociais. Carros e joias foram apreendidos, mas devolvidos pela Justiça por ausência de vínculo com crimes.
Esses episódios reforçam a narrativa da polícia de que Poze mantém laços com atividades criminosas, enquanto sua defesa e apoiadores argumentam que ele é alvo de perseguição e criminalização da cultura periférica.
Reações e defesa
A prisão de MC Poze gerou grande repercussão entre fãs, artistas e na mídia. A defesa do cantor, representada pelo advogado Fernando Henrique Cardoso, classificou as acusações como “sem sentido” e anunciou que entrará com um pedido de habeas corpus caso ele não seja liberado. Em nota, a defesa afirmou que Poze é um artista que venceu por meio de sua música e que suas letras são obras de ficção, comparáveis a produções de outros músicos e cineastas que abordam temas criminais sem serem processados. Eles também denunciaram a prisão como um caso de “racismo institucional” e “criminalização da arte periférica”.
Artistas como MC Daniel e Oruam, este último também investigado e filho de um líder do Comando Vermelho, manifestaram apoio a Poze. MC Daniel ironizou: “Parece que foi ele quem roubou o INSS. Se tivessem metade da disposição para prender quem realmente faz coisa errada, o Brasil seria um país de primeiro mundo.” Oruam criticou a condução da prisão, chamando-a de “covardia” e defendendo que Poze é apenas um cantor de bailes de favela.
Debate sobre liberdade de expressão
A prisão de MC Poze reacendeu discussões sobre os limites da liberdade de expressão no funk e a relação entre artistas e comunidades dominadas por facções. A polícia argumenta que as ações de Poze vão além da arte, configurando propaganda criminosa e fortalecimento financeiro do tráfico. Por outro lado, defensores do cantor alegam que o funk reflete a realidade das periferias e que punir artistas por suas letras é uma forma de censura e preconceito contra a cultura das favelas.
O caso também levanta questões sobre a atuação da polícia, que, segundo críticos, deveria focar em combater o tráfico diretamente, em vez de mirar artistas. O secretário de Polícia Civil, Filipe Curi, defendeu a operação, afirmando que o objetivo não é censurar, mas diferenciar expressão artística de atividade criminosa, especialmente quando eventos são usados para cooptar jovens para o crime.
O que vem a seguir?
O futuro de MC Poze depende do desenrolar das investigações e da audiência de custódia. A prisão temporária, que tem prazo inicial de cinco dias, pode ser convertida em preventiva ou revogada, dependendo das provas apresentadas. A defesa aposta na falta de evidências concretas, como no caso de 2024, quando Poze foi absolvido por falta de provas. Enquanto isso, as investigações continuam, mirando outros possíveis envolvidos no financiamento e organização dos eventos ligados ao Comando Vermelho.
O caso de MC Poze do Rodo expõe as tensões entre arte, criminalidade e repressão policial no contexto das favelas cariocas. Para muitos, ele é um símbolo de resistência e sucesso vindo da periferia; para as autoridades, uma figura que cruza a linha entre expressão cultural e promoção do crime. O desfecho desse caso pode influenciar não apenas a carreira do cantor, mas também o debate sobre o papel do funk na sociedade brasileira.



