Política

Bomba, Secretário do governo Donald Trump acabou de… Ver mais

Em um momento de tensões comerciais que dominam as relações internacionais, uma declaração polêmica ecoou dos corredores da Casa Branca, reacendendo debates sobre o equilíbrio econômico entre gigantes como Estados Unidos e Brasil. Howard Lutnick, o secretário de Comércio nomeado pelo presidente Donald Trump, soltou a bomba em uma entrevista recente à emissora NewsNation: “Temos um monte de países para consertar, como Suíça e Brasil. Eles têm um problema”. A frase, dita com a franqueza típica do estilo trumpista, não é apenas uma provocação isolada, mas o reflexo de uma estratégia agressiva para redefinir o tabuleiro global do comércio. Lutnick não poupou palavras ao descrever o Brasil como um dos alvos prioritários, argumentando que o país precisa “reagir corretamente” aos interesses americanos, abrindo mercados e cessando ações que, segundo ele, colocam os Estados Unidos em desvantagem.

Para entender o peso dessa declaração, é essencial voltar ao contexto recente das relações bilaterais. Desde que Trump assumiu seu segundo mandato, o protecionismo econômico tem sido a bandeira hasteada com orgulho. Em agosto, o governo americano impôs tarifas de até 50% sobre uma série de produtos brasileiros, uma medida que pegou Brasília de surpresa e que foi justificada como resposta a supostas práticas desleais no comércio. Lutnick, um empresário bilionário com raízes no mundo das finanças de Wall Street, vai além das tarifas: ele vê no Brasil um “problema” estrutural que exige intervenção direta. “Esses países precisam abrir seus mercados, parar de tomar ações que nos prejudiquem”, enfatizou o secretário, citando exemplos como a Índia e a Suíça, mas reservando um espaço especial para o gigante sul-americano. Para ele, o desequilíbrio comercial não é mero acidente, mas resultado de políticas que favorecem exportações brasileiras em detrimento da indústria norte-americana.

Imagine o impacto dessa retórica em um Brasil que, nos últimos anos, tem navegado águas turbulentas na economia global. Apesar de os Estados Unidos registrarem um superávit comercial com o Brasil – vendendo mais do que comprando, algo em torno de US$ 28 bilhões em 2024 –, a visão de Lutnick pinta um quadro invertido. Ele argumenta que nações como o Brasil se beneficiam indevidamente do acesso ao vasto mercado consumidor americano sem retribuir na mesma moeda. “Se eles querem vender para os consumidores americanos, é preciso jogar bola com o presidente dos Estados Unidos”, disparou, evocando a imagem de um jogo de futebol americano onde as regras são ditadas por Washington. Essa abordagem não é nova no arsenal de Trump: lembra as guerras comerciais com a China, mas agora se expande para aliados e emergentes, transformando o comércio em uma ferramenta de pressão geopolítica.

No entanto, o timing da declaração adiciona camadas de ironia. Apenas dias antes, na Assembleia Geral da ONU em Nova York, Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva trocaram afagos públicos. Trump, sempre teatral, descreveu um breve encontro nos bastidores como marcado por “química excelente”, dizendo que abraçou Lula e que ambos concordaram em uma futura reunião. “Ele pareceu ser um homem muito legal, na verdade. Ele gostou de mim, eu gostei dele. E eu só faço negócios com pessoas de quem gosto”, brincou o republicano em seu discurso. Lula, por sua vez, chamou a interação de “surpresa boa”, sinalizando otimismo para negociações. Mas eis que surge Lutnick, o executor das políticas comerciais, para lembrar que elogios não pagam contas – ou tarifas. Essa dualidade revela a essência do trumpismo: elogios pessoais como luva de pelica, mas punhos de ferro nas negociações econômicas.

O que isso significa para o Brasil? Em um cenário de recuperação pós-pandemia e desafios internos como inflação e instabilidade política, a pressão americana pode ser o catalisador para reformas ou o estopim para retaliações. Lutnick não esconde a ameaça: as tarifas atuais serão mantidas, e novas rodadas – incluindo sobretaxas de até 100% em setores como farmacêuticos e veículos pesados – entram em vigor em breve, afetando diretamente exportadores brasileiros. Países como a Índia já sentem o baque com taxas de 50%, e a Suíça, apesar de sua neutralidade lendária, não escapa das críticas por déficits comerciais que, para Lutnick, enriquecem indevidamente nações “pequenas e ricas” às custas dos EUA. O Brasil, com sua economia diversificada em commodities e manufaturados, está no centro desse furacão. Responder com abertura de mercados poderia significar concessões em áreas sensíveis, como agricultura e tecnologia, mas também oportunidades para investimentos americanos em infraestrutura e energia renovável.

Por outro lado, essa ofensiva de Trump pode galvanizar uma resposta unificada na América Latina. O Brasil, como líder regional, tem ferramentas para contra-argumentar: diversificar parcerias com a União Europeia, China e até vizinhos do Mercosul, reduzindo a dependência do mercado yankee. A declaração de Lutnick, longe de ser um mero desabafo, expõe as fissuras em um relacionamento que oscila entre cooperação e confronto. Trump, o mestre das negociações, usa figuras como Lutnick para testar limites, forçando concessões sem ceder terreno. Mas o “consertar” soa paternalista, quase como se o Brasil fosse um carro quebrado na beira da estrada interestadual americana, precisando de uma revisão rápida para voltar ao fluxo.

No fim das contas, essa fala do secretário de Comércio não é só sobre números frios de balança comercial; é sobre poder e percepção. Em um mundo multipolar, onde o Brasil busca afirmar sua soberania econômica, as palavras de Lutnick servem como lembrete incômodo: os EUA, sob Trump, não veem parceiros iguais, mas peças a serem ajustadas em um quebra-cabeça que favorece Washington. Resta ao Brasil decidir se aceita o “consertinho” proposto ou se reinventa o jogo por conta própria, transformando a pressão em combustível para uma agenda mais autônoma. Afinal, na diplomacia como no comércio, consertar um país não é tarefa de estrangeiro – é obra de quem o habita. E o Brasil, com sua resiliência histórica, tem provado repetidas vezes que sabe se reerguer sozinho.