As últimas palavras do Gari morto pelo empresário é de cortar o coração: “Pelo amor de… Ver mais

Na manhã de 11 de agosto de 2025, o bairro Vista Alegre, em Belo Horizonte, foi cenário de uma tragédia que chocou a cidade e reverberou pelo país. Laudemir de Souza Fernandes, um gari de 44 anos, foi assassinado a tiros enquanto trabalhava na coleta de lixo. Suas últimas palavras, ditas em meio à dor e à incredulidade, foram: “Acertou em mim”. A frase, simples e devastadora, ecoa como um grito de humanidade roubada, um lamento que carrega o peso de uma vida interrompida por um ato de violência sem sentido.
Laudemir era um homem comum, mas de uma dedicação incomum. Pai, marido, trabalhador incansável, ele saía de casa todas as manhãs com a promessa de voltar para sua família, para sua filha, para sua esposa, Liliane, que o esperava com a certeza de um reencontro diário. Naquele dia, porém, o destino foi cruelmente alterado por uma discussão no trânsito. Um motorista, irritado com a presença de um caminhão de lixo, sacou uma arma e disparou contra Laudemir, que, mesmo tentando apaziguar a situação, foi atingido. Suas palavras finais, ditas enquanto caía, refletem não apenas o impacto físico do disparo, mas a consternação de quem, em seus últimos instantes, ainda tentava compreender a brutalidade do que lhe acontecia.
A frase “Acertou em mim” não é apenas um registro do momento da morte, mas um símbolo da vulnerabilidade de quem trabalha nas ruas, exposto não apenas aos perigos do ofício, mas também à intolerância e à violência de uma sociedade que, por vezes, esquece o valor humano por trás de cada profissão. Laudemir não era apenas um gari; era um ser humano que limpava a cidade, que cuidava do bem-estar coletivo, que sonhava com a promoção que estava por vir e com o café da manhã que preparava aos domingos para sua família. Suas últimas palavras são um lembrete doloroso de que, por trás de cada trabalhador, há uma história, uma família, um vazio que não explica tamanha crueldade.
A esposa de Laudemir, Liliane, em sua dor, expressou o que muitos sentem: para o autor do disparo, seu marido parecia ser apenas um obstáculo, algo descartável, como se fosse “um saco de lixo”. Mas Laudemir era muito mais. Era um homem que vivia com alegria, que trabalhava com orgulho, que amava com intensidade. Sua morte não é apenas uma perda individual, mas uma ferida coletiva, que clama por justiça e por uma reflexão profunda sobre o respeito e a empatia que faltam nas ruas, no trânsito, na convivência diária.
As palavras “Acertou em mim” ressoam como um apelo. Um apelo por justiça, por mudança, por reconhecimento do valor de cada vida. Laudemir não voltou para casa naquele dia, mas sua história, marcada por essas últimas palavras, não pode ser silenciada. Que sua memória inspire respeito e que sua tragédia desperte a consciência de uma sociedade que precisa aprender a valorizar aqueles que, muitas vezes invisíveis, sustentam a vida em comunidade.



