A força de Simony e dura luta contra o câncer

A jornada de Simony frente ao câncer de intestino, diagnosticado em agosto de 2022, é uma história marcada por resiliência, fé e uma profunda transformação pessoal, mas também por momentos de dor, solidão e tristeza. A cantora, conhecida desde a infância como integrante do Balão Mágico, enfrentou um dos maiores desafios de sua vida ao receber o diagnóstico de um tumor no intestino, uma notícia que abalou seu mundo e trouxe à tona medos e incertezas que ela nunca havia enfrentado com tal intensidade. Hoje, em remissão, Simony reflete sobre o processo com gratidão, mas não sem reconhecer as cicatrizes emocionais deixadas por essa batalha.
Quando o câncer foi descoberto, Simony não tinha plano de saúde, o que tornou o início do tratamento ainda mais desafiador. Ela precisou vender parte de seu patrimônio, gastando mais de meio milhão de reais para custear quimioterapia, radioterapia e, posteriormente, imunoterapia. Foram meses de internações, sete ao todo, e um tratamento intenso que testou seus limites físicos e emocionais. A cada exame, o peso da ansiedade e do medo de uma recaída a acompanhava, um sentimento que ela descreve como um “silêncio interno” que só quem enfrenta o câncer pode compreender. Apesar da força que demonstrou, Simony não esconde que houve momentos de profunda tristeza, especialmente quando se viu sozinha em alguns dos instantes mais difíceis.
A solidão foi um dos aspectos mais dolorosos de sua jornada. Durante o tratamento, Simony enfrentou o fim de seu noivado com o cantor Felipe Rodriguez, um relacionamento de quatro anos que terminou em meio a rumores de traição. Esse abandono, em um momento de tanta vulnerabilidade, trouxe uma dor que ia além da doença. Ela refletiu publicamente sobre como muitas mulheres, ao enfrentarem o câncer, se deparam com a ausência de apoio de seus parceiros, uma realidade que a marcou profundamente. “Quando uma mulher é diagnosticada com câncer, o mundo dela desmorona”, disse ela, destacando a angústia de lutar contra a doença enquanto lidava com a decepção de não ter ao seu lado quem esperava que fosse um pilar.
Outro golpe emocional foi a perda de Preta Gil, amiga que enfrentou o mesmo tipo de câncer. As duas se aproximaram por compartilharem experiências tão semelhantes, trocando mensagens de apoio e força. A morte de Preta, em julho de 2025, trouxe uma tristeza imensa para Simony, que optou por se afastar de velórios e homenagens públicas por não conseguir lidar com o peso da finitude. Ela expressou seu luto com carinho, relembrando uma mensagem enviada por Preta antes de uma cirurgia delicada, onde a amiga demonstrava otimismo mesmo em um momento crítico. Essa perda reacendeu em Simony a consciência da fragilidade da vida, mas também reforçou sua determinação de viver intensamente.
Apesar das dores, a remissão, alcançada pela primeira vez em janeiro de 2023 e confirmada novamente em julho do mesmo ano após uma recaída, trouxe um novo olhar para a vida. Simony considera-se uma “exceção da medicina”, já que seu caso é tão singular que não encontra paralelo na literatura médica. A imunoterapia, que ela realiza a cada 21 dias, tornou-se uma aliada essencial, mantendo a doença sob controle sem efeitos colaterais significativos. Cada exame com resultado positivo é celebrado como um milagre, uma vitória que ela atribui à combinação de ciência e fé. “Deus nunca saiu do meu lado”, afirmou, destacando como a espiritualidade a sustentou nos momentos mais sombrios.
A experiência com o câncer transformou Simony. Ela fala abertamente sobre como a doença a tornou mais madura, menos carente e mais exigente consigo mesma. A cicatriz deixada pelo tumor não é vista como um lembrete da dor, mas como um símbolo de vitória. Seu retorno à academia, após o tratamento, foi um marco simbólico, um recomeço que ela descreveu como sagrado. Cada gota de suor, cada treino, representava a reconquista de si mesma, um processo de reconstrução como mulher e como pessoa. “Meu maior projeto sou eu”, declarou, em uma postagem que inspirou muitas pessoas.
A tristeza, embora presente, não definiu sua jornada. Simony encontrou na fé, na ciência e no apoio de sua equipe médica, liderada pelo oncologista Dr. Fernando Maluf, a força para seguir adiante. A cada novo amanhecer, ela celebra os pequenos momentos que antes passavam despercebidos, como um sorriso ou um dia leve. Sua história é um testemunho de resiliência, mas também de vulnerabilidade, mostrando que é possível enfrentar as maiores adversidades com coragem, mesmo quando o coração carrega cicatrizes. Hoje, Simony vive com gratidão, consciente de que cada dia é uma nova chance de recomeçar, e sua jornada inspira outros a acreditarem na possibilidade de superar até os desafios mais assustadores.



