Mariana dos Santos Cândido, de 41 anos, morreu após sofrer uma perfuração intestinal durante uma colonoscopia no Hospital Municipal Professor Doutor Alípio Corrêa Netto, em Ermelino Matarazzo, na zona leste de São Paulo. O exame foi realizado na terça-feira (28 de julho de 2026), e a paciente morreu no dia seguinte, após passar por uma cirurgia de emergência.
Segundo informações do prontuário e da família, Mariana apresentou uma laceração na parede do cólon sigmoide, segmento final do intestino grosso localizado antes do reto. Ela foi encaminhada diretamente para o centro cirúrgico, onde passou por uma laparotomia de urgência que durou cerca de seis horas. Durante o procedimento, os médicos retiraram parte do intestino e implantaram uma ileostomia, abertura que desvia temporariamente a eliminação das fezes para uma bolsa coletora.
Após a cirurgia, a mulher permaneceu internada em estado grave, com necessidade de ventilação mecânica. Relatos indicam que ela apresentou dores intensas, queda acentuada da pressão arterial e sangramento enquanto estava na Unidade de Terapia Intensiva. Apesar das medidas adotadas, não resistiu.
Mariana era agente de apoio escolar e deixou três filhos. De acordo com a tia, Mara Pongelupi, aquela foi a primeira colonoscopia realizada pela paciente. A família tinha histórico de câncer de intestino e, por essa razão, os parentes eram orientados a fazer acompanhamento periódico. Um dia antes do exame, Mariana teria telefonado para a tia dizendo que estava com medo do procedimento.
O exame foi realizado pela Clínica de Endoscopia Salinas Ltda., empresa terceirizada que presta serviços ao hospital municipal. A Secretaria Municipal da Saúde informou que abriu uma sindicância interna para apurar as circunstâncias do atendimento e avaliar a conduta médica adotada. A pasta afirmou que a empresa atua na unidade há 25 anos e declarou estar à disposição dos familiares.
O caso foi registrado no 62º Distrito Policial como morte suspeita, sem indícios iniciais de criminalidade. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal para necropsia, procedimento que poderá ajudar a esclarecer a causa do óbito e a sequência dos eventos após a perfuração. Até o momento, não há conclusão oficial de que tenha ocorrido erro médico.
A colonoscopia é um exame considerado importante para investigar sintomas, identificar lesões e rastrear o câncer colorretal. O procedimento utiliza um aparelho flexível com câmera, introduzido pelo reto, para examinar o intestino grosso e, em alguns casos, retirar pólipos ou coletar amostras. Embora geralmente seja seguro, pode provocar efeitos adversos, como sangramento, reações à sedação e, mais raramente, perfuração intestinal.
Revisões científicas indicam que a perfuração ocorre em poucos casos — em torno de cinco a seis a cada 10 mil exames, com variações conforme a finalidade do procedimento e o perfil do paciente. A lesão pode estar relacionada à passagem do aparelho, à pressão exercida sobre a parede intestinal ou a intervenções realizadas durante o exame. Quando identificada rapidamente, pode ser tratada com fechamento endoscópico, observação clínica ou cirurgia, dependendo da extensão do ferimento e da presença de contaminação abdominal.
Especialistas ressaltam que a ocorrência de uma complicação conhecida não permite, isoladamente, concluir que houve falha profissional. A análise deve considerar o prontuário, as condições clínicas da paciente, a execução do exame, o tempo até o diagnóstico, as medidas adotadas pela equipe e o resultado da necropsia.






