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Regina Duarte rompe o silêncio após condenação de Jair Bolsonaro

Regina Duarte rompe o silêncio após condenação de Jair Bolsonaro

Em um momento de tensão política que ainda ecoa pelos corredores do poder e das redes sociais, a atriz Regina Duarte, ícone das telas brasileiras e breve secretária de Cultura no governo de Jair Bolsonaro, decidiu quebrar o silêncio. Aos 78 anos, conhecida por papéis inesquecíveis em novelas que marcaram gerações, como a inesquecível viúva Porcina em “Roque Santeiro”, Regina sempre navegou entre o glamour da ficção e as águas turbulentas da realidade política. Seu apoio ao ex-presidente, desde os dias em que ocupou o cargo ministerial por apenas três meses em 2020, nunca foi segredo. Mas agora, após a duríssima condenação de Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, sua voz ressoa novamente, carregada de ironia e lealdade inabalável.

Foi na sexta-feira, 12 de setembro, um dia após o veredicto histórico do Supremo Tribunal Federal, que Regina optou pelas stories do Instagram para se manifestar. Não com palavras diretas ou um texto inflamado, mas com um vídeo compartilhado que fala por si só. Nele, uma narração irônica lista os supostos “crimes” de Bolsonaro: construir estradas, incentivar a economia, defender a família e promover valores tradicionais. Cada acusação é virada do avesso, transformada em virtude, como se o julgamento fosse uma farsa contra um herói nacional. O tom sarcástico é palpável, e o gesto de Regina é interpretado por aliados como um grito de apoio velado, uma forma sutil de dizer que o legado do ex-presidente não pode ser apagado por uma decisão judicial.

Regina não é de meias palavras quando se trata de convicções. Em entrevistas recentes, ela já havia classificado qualquer prisão como “lamentável”, uma visão que carrega sua essência de cidadã e artista, guiada por uma “força interior” que a impulsiona a se posicionar. Lembra-se de quando, no início de agosto, Bolsonaro foi colocado em prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica? Ela se manifestou na Veja, ecoando um lamento universal pelo encarceramento, mas com um viés claro: para ela, o homem que liderou o Brasil por quatro anos merecia mais do que correntes, fossem elas físicas ou simbólicas. Agora, com a pena que beira os 30 anos – 24 anos e nove meses de reclusão em regime fechado, mais dois anos e nove meses de detenção –, o silêncio de Regina poderia ter se prolongado. Mas não. Ela escolheu o vídeo como arma, um recado que circula entre bolsonaristas como um mantra de resistência.

Essa manifestação chega em um contexto de efervescência. O julgamento no STF, que condenou não só Bolsonaro, mas também sete aliados de alto escalão, incluindo militares, por uma trama para subverter a democracia e se manter no poder após a derrota nas urnas de 2022, dividiu o país mais uma vez. Para os apoiadores, é perseguição política; para os críticos, justiça tardia contra um capítulo sombrio da história recente. Regina, que deixou o governo após desentendimentos e promessas não cumpridas – como a chefia da Cinemateca Brasileira –, nunca renegou sua afinidade com o bolsonarismo. Pelo contrário: em posts passados, ela já havia defendido o “trabalho pró-Brasil” mesmo após a vitória de Lula, e ironizado silêncios do ex-presidente como atos de dignidade.

O que move Regina a esse ponto? Talvez seja o mesmo fogo que a levou das plateias de teatro ao Planalto, uma mistura de idealismo e teimosia. Sua carreira, forjada em décadas de personagens fortes e controversos, sempre flertou com o debate público. De “Dancin’ Days” à fase política, ela incorpora o Brasil em suas contradições: conservadora, patriótica, avessa ao que chama de excessos da esquerda cultural. Ao compartilhar esse vídeo, Regina não só lamenta a condenação, mas reacende o debate sobre o que significa ser fiel a um líder em tempos de queda. É um gesto tímido para alguns, ousado para outros, mas inegavelmente dela: uma atriz que, mesmo fora dos holofotes da TV, continua atuando no palco da nação.

Enquanto a defesa de Bolsonaro recorre e o trânsito em julgado pode demorar meses, o vídeo de Regina circula, multiplicando-se em grupos de WhatsApp e perfis bolsonaristas. Ela não diz explicitamente “eu apoio”, mas o faz com o sarcasmo afiado de quem sabe que, na política como no teatro, o subtexto é rei. Romper o silêncio, para Regina Duarte, não é só um ato de solidariedade; é uma declaração de que o capítulo bolsonarista, longe de encerrado, ainda tem atos por vir. E ela, como boa protagonista, está lá, no centro do palco.