Política

Te cuida Moraes: Trump manda novo recado ao Brasil, dessa vez ele v… Ler mais

O clima diplomático entre Brasil e Estados Unidos, que historicamente oscila entre cooperação e tensões pontuais, voltou a se aquecer de maneira negativa nesta segunda-feira, 8 de setembro de 2025, com uma nova declaração do governo norte-americano que colocou Brasília no centro de críticas. O subsecretário de Diplomacia Pública do Departamento de Estado dos EUA utilizou a rede social X para expressar, de forma direta, críticas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, apontando sua atuação como exemplo de supostos “abusos de autoridade”. A mensagem, que rapidamente ganhou repercussão, reacendeu debates sobre a relação entre os dois países e levantou questionamentos sobre a ingerência externa em assuntos judiciais brasileiros.

A declaração do representante norte-americano parece estar vinculada a decisões recentes de Moraes, que têm gerado controvérsia no Brasil, especialmente em casos relacionados à liberdade de expressão e à regulação de conteúdos nas redes sociais. Embora o contexto específico da crítica não tenha sido detalhado na postagem, o tom adotado sugere uma tentativa de pressionar o Brasil em um momento em que a polarização política interna já coloca as instituições brasileiras sob intenso escrutínio. A escolha da rede X como plataforma para a crítica também não passou despercebida, dado o papel da rede em amplificar debates globais e sua relevância no cenário político brasileiro.

Esse episódio não é isolado. Nos últimos anos, as relações entre Brasil e Estados Unidos têm enfrentado momentos de atrito, muitas vezes motivados por divergências em temas como meio ambiente, comércio e, mais recentemente, questões envolvendo liberdade de expressão e governança digital. Durante o governo de Jair Bolsonaro, por exemplo, houve alinhamento ideológico com os Estados Unidos em algumas pautas, mas também episódios de tensão, como nas negociações sobre a Amazônia. Já na gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, a busca por uma política externa mais independente por parte do Brasil tem gerado desconforto em Washington, especialmente em temas sensíveis como a relação com potências como China e Rússia.

A crítica direta a um ministro do STF, no entanto, marca um novo patamar de fricção. O Judiciário brasileiro, que tem desempenhado um papel central na contenção de crises institucionais, agora se vê no centro de um debate internacional. A menção a “abusos de autoridade” ecoa narrativas que já circulam em setores da sociedade brasileira, mas, vinda de um representante oficial de um governo estrangeiro, ganha contornos de intervenção diplomática. Isso levanta preocupações sobre como o Brasil responderá a essa provocação, especialmente considerando a tradição do país de defender sua soberania em questões internas.

Do lado brasileiro, a reação oficial ainda não foi plenamente articulada, mas é provável que o Itamaraty busque uma resposta que reafirme a independência das instituições nacionais sem escalar o conflito. O governo Lula, que tem apostado em uma diplomacia de equilíbrio, pode optar por um tom conciliador, mas a pressão de setores internos, tanto da base governista quanto da oposição, pode complicar a formulação de uma posição unificada. Além disso, a crítica norte-americana ocorre em um momento em que o STF enfrenta desafios internos, com decisões polêmicas que dividem a opinião pública e alimentam debates sobre o papel do Judiciário.

No cenário internacional, o episódio reforça a percepção de que as relações entre Brasil e Estados Unidos estão longe de uma estabilidade duradoura. A crítica a Moraes, embora pontual, reflete uma tendência mais ampla de questionamento às democracias ocidentais, com atores globais usando plataformas digitais para amplificar suas posições. A rede X, nesse sentido, tornou-se um palco privilegiado para esse tipo de embate, onde mensagens curtas podem gerar impactos desproporcionais. Resta saber como o Brasil navegará por esse novo capítulo de tensões, equilibrando a defesa de sua soberania com a necessidade de manter canais abertos com uma das maiores potências globais.