Notícias

Um ano após: Carta escrita por Lázaro Barbosa minutos antes de sua morte, revela diversos segredos, ele diz que…

Há um ano, o Brasil acompanhava com apreensão a caçada a Lázaro Barbosa, um criminoso que chocou o país com seus atos de violência, incluindo assassinatos, estupros e invasões de propriedades. Conhecido como o “serial killer de Brasília”, Lázaro ficou foragido por 20 dias, desafiando uma força-tarefa de mais de 270 agentes policiais, com helicópteros, drones e cães farejadores, até ser morto em um confronto com a polícia em Águas Lindas de Goiás, no dia 28 de junho de 2021. Sua morte marcou o fim de uma perseguição que mobilizou o Distrito Federal e Goiás, mas também trouxe à tona um documento intrigante: uma carta escrita por ele minutos antes de seu último suspiro, encontrada no bolso de sua jaqueta. Esse texto, carregado de revelações, oferece um vislumbre da mente de um homem que viveu à margem da sociedade e da lei, trazendo à tona segredos que ainda ecoam um ano depois.

A carta, escrita à mão em uma folha de caderno escolar, com erros de português e uma caligrafia desleixada, parece ser um desabafo final de Lázaro. Nela, ele menciona detalhes de seus crimes, como a chacina da família Vidal, em Ceilândia, onde quatro pessoas foram brutalmente assassinadas. Ele descreve um dos momentos do crime, dizendo que “o cara tava armado e, antes de eu conseguir enquadrar a vítima, ainda conseguiu avisar uma pessoa, que quando eu vi já foi só os tiros”. A frieza do relato choca, mas também sugere que o ato pode não ter sido planejado com precisão, mas sim uma reação impulsiva a uma resistência inesperada. Para os investigadores, esse trecho reforça a hipótese de que Lázaro agia movido por uma combinação de violência instintiva e desespero.

Além disso, o documento revela que Lázaro não estava sozinho em sua fuga. Ele menciona um certo “Jil”, a quem pede munição de calibres 38 e 380, oferecendo R$ 500 em troca. “Mano, não vou me entregar, pois além do caso tem muita coisa que tão querendo botar pra mim”, escreve, deixando claro que temia ser responsabilizado por outros crimes. Ele também admite estar “zerado de munição” após dois confrontos com a polícia, o que indica que, mesmo acuado, planejava continuar resistindo. O pedido desesperado por suprimentos e a menção a esconderijos, como um “barraco” onde deixara 35 munições, apontam para uma rede de apoio que o ajudou a escapar por tanto tempo. Essa possibilidade de cumplicidade, envolvendo desde fazendeiros até possíveis figuras influentes, continua sendo investigada, mas permanece um mistério que alimenta especulações.

Lázaro também usa a carta para falar de si mesmo, quase como uma tentativa de justificar sua trajetória. Ele descreve uma infância marcada por violência e abandono no interior da Bahia, onde trabalhava arduamente por poucos reais e vivia com a mãe no mato, fugindo de um pai alcoólatra e violento. “Como muitos, esse aí que se diz meu pai e quer justiça me abandonou”, escreve, revelando um ressentimento profundo. Ele menciona ter deixado a escola antes de concluir a sétima série e ter migrado para Goiás aos 13 anos em busca de uma vida melhor, apenas para enfrentar mais rejeição. Essa narrativa, embora não justifique seus atos, oferece um contexto para a revolta que ele diz ter carregado ao longo da vida.

Outro ponto marcante da carta é a negação de envolvimento com rituais religiosos, algo que a mídia especulou durante sua fuga. “Não fasso macumba, temo ao meu Deus”, escreve, rebatendo acusações de que usava práticas espirituais para escapar da polícia. Ele chega a afirmar que sua sobrevivência durante os 20 dias de fuga se devia à proteção divina, uma declaração que contrasta com a brutalidade de seus crimes. Lázaro também faz um apelo dramático, pedindo perdão às famílias das vítimas e ao “Criador”, mas reforça que não se entregaria, preferindo a morte a voltar para a prisão, onde diz ter sofrido abusos. “Lá não é centro de reeducação, é planeta de bandido”, desabafa, sugerindo traumas vividos no sistema prisional.

Um ano após sua morte, a carta de Lázaro Barbosa continua a intrigar. Ela levanta mais perguntas do que respostas: quem era “Jil”? Qual era a extensão da rede que o apoiava? Suas palavras sobre a infância e a prisão refletem uma tentativa genuína de reflexão ou apenas um último esforço para manipular a narrativa a seu favor? A violação de seu túmulo por uma adolescente, outro evento macabro que veio à tona recentemente, só intensifica o impacto que sua figura ainda exerce. Para as famílias das vítimas, como os Vidal, a dor persiste, agravada pela falta de respostas sobre possíveis mandantes ou cúmplices. A carta, com seu tom confessional e caótico, é um retrato de um homem que, mesmo no fim, parecia dividido entre o remorso e a rebeldia. Enquanto as investigações seguem, o documento permanece como um testemunho inquietante de uma mente criminosa, cujos segredos ainda não foram totalmente desvendados.