Quatro crianças da mesma família morreram afogadas na tarde de domingo, 30 de agosto de 2026, em um reservatório de água localizado na comunidade de Salina Branca, na zona rural de Paramirim, no sudoeste da Bahia. As vítimas eram três irmãos e um primo, com idades entre 3 e 9 anos. O acidente provocou comoção entre moradores e levou a Prefeitura a suspender as aulas da rede municipal nesta segunda-feira (31).
Segundo as informações reunidas até o momento, cinco crianças estavam em uma estrutura improvisada que passou a ser usada como embarcação. Parte dos relatos descreve o objeto como um cocho, recipiente normalmente utilizado para armazenar ração de animais. Outras fontes locais mencionam uma espécie de canoa ou barco improvisado. A versão mais recorrente é que o equipamento estava próximo à margem, se deslocou para o meio da água e virou quando as crianças se movimentaram.
As vítimas foram identificadas como Jeferson Davi da Silva Oliveira, de 9 anos; Jacson Diego, também citado em alguns registros como Jackson Diego, de 6; José Diogo da Silva Oliveira, de 3; e Lorenzo Almeida Cardoso, de 8. Os três primeiros eram irmãos, enquanto Lorenzo era primo. A divergência na grafia de um dos nomes aparece nos primeiros relatos divulgados sobre o caso e deverá ser esclarecida nos documentos oficiais.
Uma quinta criança, de 11 anos e irmão dos três meninos, conseguiu deixar o equipamento e nadar até a margem. De acordo com os relatos iniciais, dois adultos que estavam nas proximidades tentaram socorrer o grupo e conseguiram retirar o sobrevivente da água, mas não alcançaram as demais crianças a tempo. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência e a Polícia Militar foram acionados por volta das 15h41.
As buscas pelos corpos foram realizadas por mergulhadores do Corpo de Bombeiros Militar da Bahia, vinculados ao 7º Grupamento de Bombeiros Militar, com atuação a partir de Vitória da Conquista. O trabalho avançou durante a noite e a madrugada. Informações repassadas sobre a operação indicam que o reservatório tinha cerca de cinco metros de profundidade, água escura e galhos submersos, condições que dificultaram a localização das vítimas. Os corpos foram encontrados em mergulhos sucessivos e encaminhados ao Departamento de Polícia Técnica.
A dinâmica exata do acidente ainda depende da perícia e da investigação da Polícia Civil. Por isso, não é possível afirmar, neste momento, se houve falha estrutural no objeto, deslocamento provocado pela movimentação das crianças ou outras circunstâncias associadas ao episódio. A presença de adultos no local também deverá ser analisada pelas autoridades, sem que isso represente, por si só, uma conclusão sobre responsabilidades.
Em nota, a Prefeitura de Paramirim lamentou a morte dos quatro estudantes e manifestou solidariedade aos familiares e à comunidade de Salina Branca. As crianças estudavam na Escola Municipal Dalila Meira. O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, também se pronunciou sobre a tragédia e declarou apoio à população e ao prefeito João Ricardo Brasil Matos.
O caso chama atenção para os riscos de açudes, barragens e lagoas, especialmente em áreas rurais onde recipientes, barcos improvisados e estruturas de uso agrícola podem parecer seguros, mas não oferecem estabilidade nem proteção. Mesmo crianças que sabem nadar podem ter dificuldade para escapar de uma queda inesperada, sobretudo em águas profundas, turvas ou com obstáculos submersos. Em situações de afogamento, especialistas recomendam que familiares não entrem na água sem treinamento e acionem imediatamente o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193.






