Athos, bebê de Vitória Alves Pellegrini e Thor Mariano da Silva, morreu na madrugada desta sexta-feira (28), após passar 16 dias internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal do Hospital Dom Orione, em Araguaína, no norte do Tocantins. A criança nasceu prematuramente depois que a mãe sofreu uma parada cardíaca durante o tratamento dos ferimentos provocados por um acidente de trânsito.
O acidente aconteceu no dia 8 de agosto, na TO-222, entre Babaçulândia e Araguaína. Segundo informações divulgadas pela Polícia Militar e por familiares, a caminhonete em que estavam Vitória, Thor e o amigo Paulo Clímaco Netto, de 20 anos, saiu da pista, atingiu árvores e capotou às margens da rodovia. Thor, de 21 anos, e Paulo morreram ainda no local.
Vitória, de 20 anos, foi resgatada com vida e encaminhada ao Hospital Dom Orione. Ela estava grávida de aproximadamente seis meses e meio e apresentava fraturas na bacia e em um dos braços. Durante a internação, a jovem foi levada ao centro cirúrgico para um procedimento relacionado às lesões, mas sofreu uma parada cardíaca após receber anestesia.
Diante da gravidade do quadro, a equipe médica interrompeu o procedimento ortopédico e realizou uma cesariana de emergência. Athos nasceu no dia 12 de agosto, com cerca de 800 gramas, e foi imediatamente levado para a UTI Neonatal. Vitória morreu no dia 13, cinco dias depois do acidente, em decorrência da gravidade dos ferimentos e de complicações clínicas.
O recém-nascido permaneceu internado desde o nascimento. De acordo com familiares, ele enfrentou complicações pulmonares e precisou de cuidados intensivos, além de transfusões para reposição de hemácias. Amigos e parentes chegaram a mobilizar campanhas para arrecadar leite materno e sangue na tentativa de ajudar na recuperação da criança.
A prematuridade extrema impõe riscos importantes aos recém-nascidos. Bebês nascidos antes de 28 semanas ainda podem ter pulmões, sistema imunológico e outros órgãos em desenvolvimento, o que aumenta a possibilidade de dificuldades respiratórias, infecções, alterações neurológicas e necessidade de suporte especializado. A produção insuficiente de substâncias responsáveis por manter os alvéolos abertos também pode comprometer as trocas de oxigênio.
Mesmo com os avanços da neonatologia, o nascimento com aproximadamente 26 semanas de gestação e peso inferior a um quilo exige acompanhamento contínuo e uma estrutura hospitalar altamente especializada. O quadro pode se tornar ainda mais delicado quando o parto ocorre de forma inesperada, em meio a uma emergência médica materna, como aconteceu no caso de Athos.
Com a morte do bebê, quatro pessoas morreram em consequência da tragédia: Thor, Vitória, Paulo e Athos. A dinâmica do acidente ocorrido na TO-222 é investigada pela Polícia Civil. A família ainda não divulgou informações sobre velório e sepultamento da criança.





