As três pessoas encontradas mortas dentro de uma caixa d’água em Santa Rita de Cássia, no oeste da Bahia, eram Flávia dos Santos Souza, de 28 anos; Edgar Costa Barbosa, de 29; e Kaio Matos de Souza, de 10 anos. Flávia era mãe do menino e companheira de Edgar, que também exercia a função de padrasto da criança.
A tragédia aconteceu na segunda-feira, 24 de agosto de 2026, no lote 34 do assentamento Primavera Capefe, na zona rural do município. A família vivia na propriedade e estava envolvida em uma atividade de manutenção de um reservatório com capacidade aproximada de 16 mil litros.
O caso foi descoberto depois que uma das filhas do casal percebeu que os familiares não respondiam. A menina procurou ajuda de um vizinho, que foi até o local e encontrou as vítimas dentro da estrutura. Segundo os relatos divulgados pelas autoridades e por veículos que acompanharam a ocorrência, Flávia já estava morta quando o socorro chegou. Edgar e Kaio foram retirados do reservatório com o auxílio de uma corda, mas também não resistiram.
A família ainda tinha duas meninas. Uma delas, de 7 anos, foi apontada como a criança que percorreu a vizinhança em busca de ajuda. As filhas ficaram sob os cuidados de familiares após a morte dos pais e do irmão. Flávia e Kaio eram naturais do povoado de Baixinha, também na zona rural de Santa Rita de Cássia. Edgar nasceu em outra cidade da região e seria sepultado separadamente.
Inicialmente, a Polícia Civil considerou a possibilidade de que as vítimas tivessem sofrido uma descarga elétrica durante o serviço de manutenção da cisterna. A hipótese, porém, foi descartada posteriormente, depois que os investigadores verificaram que não havia instalação elétrica no interior do reservatório. A principal linha de investigação passou a considerar uma possível intoxicação provocada por gases acumulados no espaço fechado, embora a causa exata das mortes ainda dependa dos laudos periciais.
Reservatórios, cisternas e outros espaços confinados podem oferecer riscos mesmo quando parecem vazios ou pouco profundos. A decomposição de matéria orgânica, a presença de produtos químicos ou a baixa circulação de ar podem levar ao acúmulo de gases e à redução do oxigênio disponível. Nessas condições, uma pessoa pode perder a consciência rapidamente, e a tentativa de resgate sem equipamentos adequados também pode colocar outras vidas em perigo.
A área foi isolada pela Polícia Militar, e equipes do Departamento de Polícia Técnica realizaram a perícia no local. Os corpos foram encaminhados ao Instituto Médico-Legal de Barreiras para necropsia e liberados para os sepultamentos na terça-feira, 25 de agosto. A Polícia Civil informou que, até o momento, não havia indícios de crime, mas o inquérito continua para esclarecer a sequência dos acontecimentos e confirmar o mecanismo que provocou as mortes.






