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Esse é o valor da cirurgia que Maya quer fazer para tentar engravidar; Artista famosa fez e acabou morrendo

O desejo de formar uma família e vivenciar a maternidade é um sonho compartilhado por muitas pessoas, independentemente de sua identidade de gênero. Nos últimos anos, avanços na medicina têm aberto novas possibilidades para mulheres trans que buscam realizar esse sonho por meio de transplantes de útero, um procedimento ainda experimental, mas que desperta esperança e debates. Figuras como Jessica Alves e Maíra Massafera, ambas mulheres trans brasileiras, têm trazido visibilidade a essa questão, enquanto a história de Lili Elbe, uma pioneira trans, serve como um marco histórico trágico e inspirador.

Jessica Alves, conhecida anteriormente como Ken Humano, é uma influenciadora brasileira que ganhou destaque mundial por suas inúmeras cirurgias plásticas e, mais recentemente, por sua transição de gênero. Em 2021, Jessica anunciou sua intenção de se tornar a primeira mulher trans a realizar um transplante de útero, com o objetivo de engravidar e construir uma família. Aos 37 anos na época, ela já havia passado por uma cirurgia de redesignação sexual e expressava um forte desejo de ser mãe, afirmando que se sentiria “completa” ao dar à luz. Jessica planejava realizar o procedimento no Brasil, onde acreditava haver médicos capacitados para a cirurgia, que custaria entre 220 mil e 300 mil reais. Ela reconhecia que a gravidez natural não seria possível, já que o útero transplantado não estaria conectado às trompas de Falópio, tornando a fertilização in vitro necessária. Jessica também mencionou ter esperma congelado para usar no processo, reforçando seu desejo de ter filhos biológicos. Apesar de sua determinação, não há registros recentes confirmando se ela realizou a cirurgia ou alcançou seu objetivo, o que sugere que o procedimento pode não ter ocorrido ou foi mantido em sigilo.

Maíra Massafera, outra mulher trans brasileira, também tem expressado publicamente seu desejo de realizar um transplante de útero para engravidar. Conhecida por sua presença nas redes sociais e por compartilhar sua jornada de transição, Maíra tem abordado o tema com entusiasmo, inspirada por avanços médicos e pelo desejo de vivenciar a maternidade. Assim como Jessica, ela enfrenta os mesmos desafios técnicos: a necessidade de fertilização in vitro e as complexidades de um procedimento que ainda é experimental, especialmente para mulheres trans. A pelve masculina, mais estreita, torna a cesariana a única opção viável para o parto, e os riscos de rejeição do órgão exigem terapias imunossupressoras intensas. Apesar disso, Maíra vê no transplante uma possibilidade de realizar um sonho pessoal e de abrir caminhos para outras mulheres trans, contribuindo para a normalização desse tipo de procedimento.

A história de Lili Elbe, uma das primeiras mulheres trans a passar por cirurgias de redesignação de gênero, é um marco importante nesse contexto. Nascida na Dinamarca, Lili, que inspirou o filme A Garota Dinamarquesa, tentou um transplante de útero em 1931, na esperança de ter filhos com seu noivo. Na época, a medicina estava muito longe dos avanços atuais: não havia medicamentos imunossupressores eficazes nem antibióticos amplamente disponíveis. Lili passou por uma série de cirurgias experimentais, incluindo o transplante de útero, mas desenvolveu uma infecção pós-operatória grave. Três meses após o procedimento, ela faleceu de parada cardíaca, aos 48 anos, sem realizar seu sonho de engravidar. Sua história, embora trágica, é um testemunho de coragem e do desejo de viver plenamente sua identidade, pavimentando o caminho para discussões sobre a maternidade entre mulheres trans.

Os casos de Jessica Alves, Maíra Massafera e Lili Elbe ilustram tanto os avanços quanto os desafios da medicina reprodutiva para pessoas trans. Enquanto Lili enfrentou os limites de uma era com tecnologia médica precária, Jessica e Maíra representam uma nova geração que busca aproveitar os progressos científicos para realizar seus sonhos. O transplante de útero, embora bem-sucedido em algumas mulheres cisgênero (como o caso de 2014, quando uma mulher cis deu à luz após o procedimento), ainda é um território inexplorado para mulheres trans. Questões como a viabilidade do órgão em um corpo com anatomia diferente, os riscos de rejeição e as implicações éticas continuam sendo debatidas. Mesmo assim, a determinação de Jessica e Maíra reflete uma busca por igualdade e plenitude, desafiando barreiras médicas e sociais. A jornada dessas mulheres, unida à memória de Lili Elbe, destaca a força do desejo humano de criar vida e a importância de continuar investindo em pesquisas que tornem esses sonhos possíveis.