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Alexander Díaz Rodríguez sai da prisão cubana com câncer e 44 quilos a menos

Alexander Díaz Rodríguez deixou uma prisão cubana em abril de 2026 após cumprir integralmente a pena aplicada por sua participação nos protestos de 11 de julho de 2021. As imagens feitas depois da libertação, porém, provocaram repercussão internacional: extremamente magro, debilitado e com sinais de doença grave, o opositor tornou-se o retrato mais recente das denúncias sobre as condições enfrentadas por presos políticos na ilha.

Segundo relatos reunidos por organizações independentes, Díaz Rodríguez, de 45 anos, foi libertado em 4 de abril, na província de Artemisa, depois de passar quase cinco anos sob custódia. Há divergência entre as fontes sobre a duração exata da pena — alguns registros mencionam quatro anos, enquanto outros apontam cinco —, mas todas coincidem ao afirmar que ele cumpriu a condenação até o fim, sem receber liberdade antecipada por razões médicas.

Durante o encarceramento, ele foi diagnosticado com câncer de tireoide em estágio avançado. Algumas denúncias também descrevem a doença como um câncer na região da garganta. A família e entidades de direitos humanos afirmam que o preso não recebeu tratamento oncológico adequado e que teve episódios de vômito com sangue, anemia, inflamação nas extremidades, diarreia e perda progressiva de peso.

O grupo Prisoners Defenders afirma que Díaz Rodríguez entrou na prisão pesando cerca de 81 quilos e saiu com aproximadamente 37 quilos — uma redução de 44 quilos. A organização também relata que ele contraiu hepatite B durante o período de detenção e foi submetido a trabalhos dentro do sistema prisional mesmo quando já apresentava condições físicas consideradas graves.

Em 2024, a organização cubana Cubalex denunciou que o opositor estava desnutrido, sem tratamento médico suficiente e com dificuldades até para falar. Segundo a entidade, ele teria sido agredido por agentes penitenciários, privado de alimentos e produtos de higiene levados pela família e ameaçado para que seus parentes interrompessem as denúncias públicas. Três pedidos de licença extrapenal apresentados pela mãe teriam sido rejeitados.

O caso ganhou ainda mais força política porque ocorreu no mesmo período em que o presidente Miguel Díaz-Canel negou, em entrevista ao programa Meet the Press, da NBC News, a existência de presos políticos em Cuba. Ao ser questionado sobre mais de 1.200 pessoas identificadas por organizações independentes como detidas por razões políticas, o presidente classificou como “mentira” e “calúnia” a ideia de que qualquer pessoa que critique a Revolução seja presa.

As denúncias, no entanto, são respaldadas por investigações de entidades como Human Rights Watch, que entrevistou ex-detentos do 11J e relatou espancamentos, confinamento solitário, alimentação insuficiente, falta de água e ausência de atendimento médico adequado. A organização afirma que centenas de pessoas continuam presas por sua participação nos protestos de 2021, iniciados em meio à escassez de alimentos, medicamentos, energia elétrica e às reivindicações por direitos e liberdades.

O episódio também não encerrou a perseguição contra Díaz Rodríguez. Em julho, poucos meses após sua libertação, ele e o ativista José Elías González Agüero foram novamente detidos quando se dirigiam a uma recepção da Embaixada dos Estados Unidos em Havana. Segundo relatos apresentados à Prisoners Defenders, os dois foram levados para locais isolados, ameaçados e humilhados. Díaz Rodríguez teria sido espancado e submetido a ameaças de execução simulada.

Assim, a imagem do ex-detento não representa apenas o impacto de uma doença ou da perda extrema de peso. Para seus apoiadores, ela documenta o efeito acumulado de uma condenação por protestar, da falta de assistência médica e de um sistema prisional acusado de usar a fome, o isolamento e a intimidação como instrumentos de controle político.