Brasil inteiro orando: Bolsonaro pede grupo de oração após… Ver mais

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em prisão domiciliar desde 4 de agosto por ordem do ministro Alexandre de Moraes, voltou a agitar os bastidores políticos nesta terça-feira (19). Seus advogados protocolaram um pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) solicitando permissão para que o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e outras 16 pessoas, incluindo aliados políticos e membros de um grupo de oração ligado à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, possam visitá-lo.
A solicitação intensifica as discussões sobre as limitações impostas ao ex-presidente, reacendendo o debate sobre os contornos de sua prisão domiciliar. Entre os nomes listados, estão figuras proeminentes do núcleo bolsonarista, como os senadores Carlos Portinho (PL-RJ), Magno Malta (PL-ES) e Marcos Rogério (PL-RO).
Além deles, a lista inclui deputados como Sanderson (PL-RS), Alfredo Gaspar (União-AL) e Marcel van Hattem (Novo-RS), além do próprio Nikolas Ferreira, um dos parlamentares mais destacados da nova geração conservadora. A escolha dos nomes sugere que Bolsonaro busca preservar laços políticos estratégicos, mesmo sob restrições judiciais, indicando que sua influência nos bastidores segue firme.
O requerimento não se restringe à esfera política. Entre os solicitantes, aparece também Bárbara Destefani, influenciadora digital por trás do canal “Te Atualizei” no YouTube, conhecido por promover pautas conservadoras e atrair grande audiência. Alvo de investigações por divulgação de desinformação, Destefani é uma voz alinhada ao discurso bolsonarista, o que gera questionamentos sobre o impacto de sua possível visita ao ex-presidente.
O pedido, assim, combina elementos políticos, religiosos e midiáticos, ampliando o alcance das interações pretendidas. Pelas regras estabelecidas por Moraes, Bolsonaro só pode receber familiares e médicos sem autorização prévia, enquanto outras visitas exigem aval do STF, medida adotada para impedir que sua residência se torne um polo de articulações políticas durante o cumprimento da cautelar.
Essa é a primeira vez, desde a imposição da prisão domiciliar, que a defesa solicita a entrada de um grupo tão amplo de visitantes, o que eleva a expectativa em torno da decisão de Moraes e suas possíveis consequências políticas.
O cenário da prisão domiciliar de Bolsonaro adiciona nuances ao caso. A medida foi determinada por Moraes sob a justificativa de risco de interferência em investigações e de articulações que poderiam ameaçar a ordem pública. Já a defesa alega que as restrições limitam excessivamente a vida política e pessoal do ex-presidente, que segue como uma liderança central para seus seguidores.
Analistas veem o pedido como uma tentativa de suavizar as condições da detenção, usando a dimensão religiosa e familiar como argumento. A última aparição pública de Bolsonaro fora de casa ocorreu no sábado (16), quando ele obteve permissão para realizar exames médicos. A saída, acompanhada de forte esquema de segurança, foi amplamente noticiada e mobilizou apoiadores, que o enxergam como alvo de perseguição política. Para adversários, porém, o episódio reforça a necessidade de monitoramento rigoroso, evitando que ele transforme brechas judiciais em palcos para articulações.
A decisão de Moraes, agora aguardada, determinará se as visitas representam risco às investigações ou se podem ser liberadas sem comprometer os processos. O caso destaca a delicada interseção entre direitos individuais, prática religiosa e manobras políticas.
Independentemente do desfecho, a resolução terá impacto não apenas na rotina de Bolsonaro, mas também no cenário político nacional, que permanece atento aos movimentos do ex-presidente e de seus aliados mais próximos.



