VOLTOU ATRÁS? Após ser pressionado Moraes libera Bolsonaro para… Ver mais

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou o ex-presidente Jair Bolsonaro a receber visitas enquanto cumpre prisão domiciliar, em uma decisão que marca uma flexibilização nas restrições impostas ao político. Bolsonaro, que está detido em sua residência em Brasília desde o início da semana, teve a prisão decretada por Moraes após descumprir medidas cautelares relacionadas a investigações sobre sua conduta e a de seus aliados. A liberação para receber visitantes, no entanto, trouxe um alívio parcial às condições de isolamento impostas ao ex-mandatário.
A decisão de Moraes permite que familiares, como filhos, netos e cunhadas, visitem Bolsonaro sem a necessidade de autorização prévia do STF, desde que respeitem regras específicas, como a proibição de usar celulares para fotos ou gravações. Além disso, o ministro autorizou visitas de aliados políticos, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, a vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão, e deputados como Luciano Zucco, com encontros agendados entre os dias 7 e 14 de agosto, em horários determinados, para evitar aglomerações. Cada visita foi cuidadosamente estipulada, com datas e horários fixos, demonstrando um controle rigoroso por parte do STF.
A autorização para visitas médicas também foi concedida, permitindo que cinco profissionais de saúde, incluindo o médico responsável pela última cirurgia de Bolsonaro, tenham acesso livre à residência, sem necessidade de aval prévio, desde que sigam as mesmas restrições de uso de dispositivos eletrônicos. A medida reflete a preocupação com a saúde do ex-presidente, mas mantém as limitações impostas para evitar comunicações indevidas, especialmente após Moraes apontar que Bolsonaro utilizou redes sociais de aliados, incluindo seus filhos, para divulgar mensagens que poderiam comprometer as investigações em curso.
A prisão domiciliar de Bolsonaro foi determinada após o ministro considerar que ele violou condições judiciais, como a proibição de usar redes sociais, ao se comunicar com apoiadores por meio de terceiros. Essa conduta, segundo Moraes, incluiu postagens de seus filhos em apoio a atos realizados em diversas cidades do país. Além disso, Bolsonaro é investigado por supostamente estimular sanções estrangeiras contra o Brasil, em um inquérito que também envolve seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro, acusado de articular ações com o governo de Donald Trump para pressionar o governo brasileiro.
A liberação para receber visitas ocorre em um momento delicado, com a defesa de Bolsonaro recorrendo da prisão domiciliar e pedindo que o caso seja analisado pelo plenário do STF. Enquanto isso, a decisão de Moraes de permitir visitas, especialmente no contexto do Dia dos Pais, quando oito familiares foram autorizados a estar com o ex-presidente, sinaliza um equilíbrio entre as restrições judiciais e a garantia de direitos humanitários. Contudo, as regras rígidas, como a proibição de celulares e a necessidade de autorização para visitas de não familiares, reforçam que o STF mantém um controle estrito sobre as movimentações de Bolsonaro, mesmo em prisão domiciliar.
O caso segue gerando debates, com apoiadores do ex-presidente defendendo que as medidas são excessivas e críticos apontando a necessidade de rigor nas investigações. A decisão de Moraes, portanto, reflete não apenas o andamento do processo judicial, mas também o peso político de um momento em que o ex-presidente permanece como uma figura central no cenário nacional, mesmo sob restrições.



