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Lembra da mulher que teve o rosto desfigurado pelo boxeador no elevador? Você ficará chocado ao ver a primeira cirurgia dela

No final de julho de 2025, o Brasil foi abalado por um caso chocante de violência doméstica ocorrido em Natal, Rio Grande do Norte. Juliana, uma mulher de 35 anos, foi brutalmente agredida com mais de 60 socos pelo ex-namorado dentro do elevador de um condomínio no bairro de Ponta Negra. O ataque, registrado por câmeras de segurança, gerou comoção nacional e levantou debates sobre violência contra a mulher e a necessidade de medidas mais eficazes para proteger as vítimas. Passadas algumas semanas, como está Juliana, que enfrentou um trauma físico e emocional tão devastador?

A violência sofrida por Juliana deixou sequelas graves. Os mais de 60 socos desferidos em menos de 40 segundos causaram múltiplas fraturas faciais, incluindo lesões na região da órbita, maçã do rosto, maxilar e mandíbula. A gravidade dos ferimentos exigiu intervenção cirúrgica complexa para reconstruir os ossos do rosto, um procedimento delicado que envolveu o uso de placas e parafusos para restabelecer a funcionalidade e a estética facial. Segundo especialistas, o trauma foi comparado ao de vítimas de acidentes graves, como colisões de moto sem uso de capacete.

Juliana passou por uma cirurgia de reconstrução facial no dia 1º de agosto, realizada no Hospital Universitário Onofre Lopes, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). O procedimento, que durou mais de sete horas, foi considerado bem-sucedido pela equipe médica. Apesar do sucesso, a recuperação não é simples. A cirurgia envolveu a estabilização de fraturas extensas, e Juliana pode enfrentar sequelas permanentes, como dificuldades na fala e mastigação, que devem levar pelo menos um mês e meio para se normalizarem, segundo estimativas médicas.

Após a operação, Juliana permaneceu internada por alguns dias para monitoramento. No dia 4 de agosto, ela recebeu alta hospitalar e foi orientada a seguir recomendações de uma equipe multidisciplinar em casa, com retorno previsto ao hospital ainda em agosto para avaliação pós-cirúrgica. A alta representou um marco importante, mas a jornada de recuperação física e emocional está apenas começando. Juliana também enfrenta um edema facial significativo, que exige cuidados contínuos e paciência no processo de cicatrização.

Apesar do trauma, Juliana demonstrou resiliência ao se pronunciar nas redes sociais pela primeira vez após o ocorrido. Em uma mensagem emocionada, ela agradeceu o apoio de amigos, familiares e até mesmo de desconhecidos que se solidarizaram com sua história. “É um momento muito delicado, e eu preciso focar na minha recuperação”, afirmou. Uma vaquinha online, organizada por amigas, foi criada para ajudar com os custos do tratamento, demonstrando a força da rede de apoio que se formou ao redor dela.

Juliana também relatou que o agressor, Igor Eduardo Pereira Cabral, já havia demonstrado comportamentos violentos anteriormente, incluindo agressões físicas e psicológicas. Em um bilhete, ela revelou que ele chegou a ameaçá-la de morte, o que reforça a gravidade do caso e a importância de sua coragem em buscar justiça.

Igor Eduardo Pereira Cabral, de 29 anos, ex-jogador de basquete da seleção brasileira de 3×3, foi preso em flagrante no dia do crime, 26 de julho, após ser contido por moradores do condomínio e entregue à Polícia Militar. Sua prisão foi convertida em preventiva, e ele foi transferido para a Cadeia Pública Dinorá Simas, em Ceará-Mirim, na região metropolitana de Natal. Igor será indiciado por tentativa de feminicídio, e a investigação aponta que a motivação do ataque foi ciúmes, desencadeado por uma discussão na área comum do condomínio.

Em depoimento, o agressor alegou ter sofrido um “surto claustrofóbico” no elevador, uma justificativa que foi amplamente questionada pelas autoridades e pela opinião pública. A delegada responsável pelo caso, Victória Lisboa, destacou que as imagens das câmeras de segurança são uma “prova inquestionável da vontade de matar”, reforçando a gravidade do crime.

A história de Juliana é um lembrete doloroso da prevalência da violência contra a mulher no Brasil. Apesar das sequelas físicas e do impacto emocional, sua força para enfrentar o trauma e seguir em frente é inspiradora. A cirurgia de reconstrução facial foi um passo crucial, mas a recuperação total, tanto física quanto psicológica, demandará tempo, apoio e cuidados contínuos.

O caso também reacende a importância de medidas preventivas e de suporte às vítimas de violência doméstica. Denúncias podem ser feitas por meio de canais como o 180 (Central de Atendimento à Mulher) e o 190 (Polícia Militar), que oferecem apoio emergencial e orientação. A sociedade, por sua vez, tem um papel fundamental em apoiar vítimas como Juliana, seja por meio de solidariedade, arrecadação de recursos ou pressão por justiça.

Juliana, agora em casa, segue sua recuperação com o suporte de uma rede de apoio que se formou em torno dela. Sua história é um símbolo de resistência e um chamado à reflexão sobre a urgência de combater a violência de gênero no Brasil. Que sua jornada inspire mudanças e traga esperança para tantas outras mulheres que enfrentam situações semelhantes.