O ator e humorista Renato Aragão não compareceu ao velório de Roberto Guilherme, realizado na tarde de sexta-feira, 11 de novembro de 2022, no Cemitério Memorial do Carmo, no Rio de Janeiro. A ausência do intérprete de Didi Mocó foi justificada pelo forte abalo emocional causado pela morte do colega, ocorrida na manhã anterior. Lilian Aragão, esposa de Renato, esteve presente na cerimônia para se despedir em nome da família e entregar uma coroa de flores com a mensagem “Descanse em paz, meu querido amigo”.
Roberto Guilherme, conhecido pelo personagem Sargento Pincel no programa Os Trapalhões, faleceu aos 84 anos após anos de tratamento contra um câncer. Ele estava internado na Clínica São Vicente, na Gávea, zona sul do Rio de Janeiro. A notícia da morte provocou profunda tristeza em Renato Aragão, que manteve com o colega uma parceria artística e de amizade que se estendeu por mais de cinco décadas.
Segundo relatos de familiares, o humorista reagiu com muita emoção ao receber a confirmação do falecimento. Lilian Aragão revelou que o marido chorou intensamente e ficou bastante abalado. Em declarações públicas, Renato descreveu Roberto como um “amigo do peito”, um profissional de excelência e um parceiro inesquecível. Ele destacou que, fora das câmeras, o colega era muito diferente do personagem rígido e durão que interpretava. “Era uma pessoa doce”, afirmou, lembrando ainda a trajetória de Roberto como sargento do Exército antes de se dedicar à carreira artística.
A amizade entre os dois começou nos anos 1960, na antiga TV Excelsior, e se consolidou ao longo dos trabalhos em Os Trapalhões, programa que marcou gerações de brasileiros. Roberto Guilherme se tornou presença constante nas produções comandadas por Renato, interpretando o Sargento Pincel em diversos quadros e também participando de filmes e outros projetos humorísticos. A parceria se estendeu inclusive a trabalhos posteriores, como A Turma do Didi e produções especiais.
No velório, reservado a familiares e amigos próximos, a família de Roberto Guilherme exibiu imagens do artista e recebeu manifestações de carinho. Além da presença de Lilian Aragão, a família do Didi enviou a coroa de flores como forma de homenagem. Renato, que na época tinha 87 anos, optou por não ir ao local, preferindo viver o luto de forma mais reservada. Em suas redes sociais e em entrevistas, ele reforçou o sentimento de perda e destacou o legado deixado pelo amigo.
Roberto Guilherme deixou a esposa, Sheila Nunes, com quem era casado há 56 anos, e os filhos Willian e Valeska. Sua carreira incluiu não apenas o humor, mas também trabalhos como dublador. Nascido em 1938, ele chegou a atuar no futebol em sua juventude antes de se dedicar integralmente às artes cênicas. O personagem Sargento Pincel se tornou icônico pela interação com o Soldado 49, vivido por Renato Aragão, gerando cenas memoráveis de comicidade e confusão no quartel fictício.
A morte de Roberto Guilherme representou mais uma perda para o elenco de Os Trapalhões, grupo que já havia se despedido de integrantes como Mussum e Zacarias em décadas anteriores. Renato Aragão, um dos últimos representantes da formação clássica, tem mantido viva a memória do programa por meio de homenagens e aparições pontuais. Na ocasião, ele expressou o desejo de que o amigo descansasse em paz e reconheceu a importância da convivência que mantiveram tanto no trabalho quanto na vida pessoal.
A cerimônia de despedida ocorreu de forma discreta, com a presença de parentes e alguns colegas. O corpo de Roberto Guilherme foi cremado no mesmo dia. A ausência de Renato no local não passou despercebida, mas foi compreendida no contexto do forte impacto emocional que a notícia provocou nele. Lilian Aragão, ao chegar ao cemitério, cumprimentou de longe a imprensa e os familiares presentes, reforçando o clima de respeito e recolhimento.
Ao longo dos anos, Renato Aragão e Roberto Guilherme compartilharam momentos de alegria e dificuldades, construindo uma relação que ia além das gravações. Em declarações anteriores, ambos destacavam o companheirismo e a confiança mútua. A morte do Sargento Pincel fechou um ciclo de décadas de colaboração artística que ajudou a definir o humor brasileiro na televisão.
O episódio serviu como lembrete do valor das parcerias duradouras no meio artístico. Renato Aragão, mesmo ausente fisicamente do velório, fez questão de registrar publicamente sua homenagem e o carinho que nutria pelo colega. A reação do humorista mostrou o peso da perda de alguém com quem dividiu tanto tempo de carreira e de vida.
A notícia da morte e da ausência de Renato no velório circulou amplamente na imprensa na época, destacando o lado humano por trás dos personagens que alegraram milhões de espectadores. Roberto Guilherme será lembrado pelo talento e pela contribuição ao entretenimento nacional, enquanto Renato Aragão segue carregando a memória dos anos de parceria.
Com a partida de mais um integrante do elenco clássico, o público e os profissionais do meio relembram as contribuições de Os Trapalhões para a cultura popular brasileira. A reação de Renato Aragão, marcada pela emoção e pelo recolhimento, ilustra a profundidade dos laços formados ao longo de tantos anos de trabalho conjunto.





