Política

Após prisão de Bolsonaro, Trump manda recado para o Brasil “Vocês vão se”…Ver mais

Na última segunda-feira, 4 de agosto de 2025, a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de decretar a prisão domiciliar do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro gerou uma forte reação internacional, especialmente por parte do governo dos Estados Unidos. O Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental, órgão vinculado ao Departamento de Estado dos EUA, emitiu um comunicado contundente que reflete a posição do governo norte-americano sobre o caso, intensificando as tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos.

A prisão domiciliar de Bolsonaro foi determinada após o ex-presidente descumprir medidas cautelares impostas anteriormente pelo STF, como a proibição de usar redes sociais e de se comunicar com outros investigados em processos relacionados a uma suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Moraes justificou a medida apontando que Bolsonaro utilizou perfis de aliados, incluindo seus filhos, para divulgar mensagens que incitavam ataques ao Supremo e defendiam intervenção estrangeira no Judiciário brasileiro. A decisão incluiu restrições severas, como a proibição de receber visitas não autorizadas, usar celulares ou acessar redes sociais, além da apreensão de aparelhos na residência do ex-presidente em Brasília.

O Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental, responsável por coordenar a política externa dos EUA na América Latina, publicou uma nota oficial em inglês e português, amplamente divulgada nas redes sociais e republicada pela Embaixada dos EUA no Brasil. No comunicado, o órgão classificou a decisão de Moraes como uma “ameaça à democracia” e acusou o ministro de usar as instituições brasileiras para “silenciar a oposição”. O texto foi ainda mais longe ao chamar Moraes de “violador de direitos humanos”, mencionando que o ministro já havia sido incluído na lista de sanções da Lei Magnitsky, uma legislação americana que pune estrangeiros acusados de corrupção ou violações de direitos humanos.

O recado do Departamento de Estado foi claro e direto: “Os Estados Unidos condenam a ordem de Moraes que impôs prisão domiciliar a Bolsonaro e responsabilizarão todos aqueles que colaborarem ou facilitarem condutas sancionadas.” A nota também defendeu o direito de Bolsonaro de se expressar publicamente, exigindo: “Deixem Bolsonaro falar!” Essa declaração foi interpretada como uma advertência não apenas ao STF, mas a outras autoridades brasileiras que endossem ou cumprissem a decisão.

A reação do governo norte-americano, liderado pelo presidente Donald Trump, ocorre em um momento de crescente tensão entre Brasil e EUA. Trump, que mantém uma relação de apoio mútuo com Bolsonaro, já havia classificado as investigações contra o ex-presidente como uma “caça às bruxas” e anunciou a imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, previstas para entrar em vigor em 6 de agosto de 2025, como retaliação às ações judiciais contra seu aliado. O comunicado do Departamento de Estado reforça essa postura, sugerindo que os EUA podem intensificar medidas econômicas ou diplomáticas caso a situação de Bolsonaro se agrave.

A nota também reflete uma tentativa de pressionar o governo brasileiro, liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tem resistido às demandas de Trump por um perdão a Bolsonaro. A decisão de Moraes, vista por analistas como um desafio direto à pressão americana, pode aprofundar a crise diplomática entre as duas maiores democracias das Américas.

O posicionamento do Departamento de Estado gerou reações polarizadas no Brasil. Aliados de Bolsonaro, como o senador Flávio Bolsonaro e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, classificaram a prisão domiciliar como uma “injustiça” e um “abuso de poder”. O Partido Liberal (PL), ao qual Bolsonaro é filiado, emitiu nota afirmando que a medida é uma “perseguição política” contra o líder da oposição. Por outro lado, defensores da decisão do STF argumentam que a prisão domiciliar é uma resposta necessária ao descumprimento reiterado de ordens judiciais por parte de Bolsonaro, que segue sendo investigado por crimes graves.

A crítica do Departamento de Estado dos EUA à prisão domiciliar de Jair Bolsonaro, acompanhada de acusações contra Alexandre de Moraes e ameaças de responsabilização, sinaliza uma escalada na interferência norte-americana em assuntos judiciais brasileiros. O recado do governo Trump, ao condenar a decisão do STF e exigir que Bolsonaro tenha liberdade para se expressar, coloca em xeque a soberania do Judiciário brasileiro e intensifica o embate entre os dois países. Enquanto a crise diplomática se aprofunda, o caso de Bolsonaro continua a polarizar o Brasil e a atrair atenção internacional, com desdobramentos que podem redefinir as relações bilaterais e o cenário político interno.