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Comerciante chinês é condenado a 38 anos por feminicídio de jovem na Pavuna, no Rio

O comerciante chinês Zhaohu Qiu, conhecido como Xau, foi condenado a 38 anos de prisão, em regime fechado, pelo feminicídio e pela ocultação do cadáver de Marcelle Júlia Araújo da Silva, de 18 anos. A jovem foi assassinada em junho de 2025, na Pavuna, Zona Norte do Rio de Janeiro. O corpo foi encontrado enrolado em uma lona e parcialmente devorado por dois cães da raça pitbull.

A condenação foi definida pelo Conselho de Sentença do II Tribunal do Júri do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. A sentença foi proferida em 28 de outubro pela juíza Elizabeth Machado Louro e divulgada pelo tribunal no início de novembro. O processo aponta que Marcelle foi morta depois de rejeitar as investidas amorosas do comerciante. Segundo a denúncia, ela pretendia manter apenas uma relação de amizade com Qiu.

No dia do crime, Marcelle avisou à família que iria à casa do acusado. Imagens de câmeras de segurança registraram a chegada da jovem ao imóvel durante a madrugada. Horas depois, Qiu foi filmado saindo do local com um carrinho de mão coberto por uma lona azul e seguindo em direção a outra propriedade, também pertencente a ele.

Foi nesse segundo imóvel, localizado na comunidade Beira Rio, que o corpo da jovem acabou descoberto. A residência estava em obras e abrigava os cães. De acordo com as investigações, o cadáver foi deixado no local ainda coberto pela lona e sofreu ataques dos animais. O trajeto entre os dois imóveis tinha aproximadamente 800 metros.

Na decisão, a magistrada afirmou que o caso representa um episódio de feminicídio praticado em um contexto de violência de gênero e destacou a necessidade de que a pena tenha caráter preventivo e pedagógico. A juíza também mencionou o sofrimento provocado à família de Marcelle pelas circunstâncias em que o corpo foi encontrado, especialmente à mãe da vítima.

Qiu trabalhava com a venda de yakisoba em um food truck no Jardim América, também na Zona Norte, e mantinha proximidade com a família de Marcelle. Segundo relatos reunidos durante a investigação, os dois se conheciam havia anos e o comerciante demonstrava interesse afetivo pela jovem, que não correspondia à aproximação.

Após o crime, o acusado deixou o Rio de Janeiro e foi localizado em Carapicuíba, na Grande São Paulo, em uma operação conjunta das polícias civis dos dois estados. Ele foi preso em junho de 2025. Durante o inquérito, a Polícia Civil informou que Qiu confessou o assassinato e relatou ter utilizado o carrinho de mão para transportar o corpo.

O caso começou a ser investigado depois que familiares e amigos perceberam o desaparecimento de Marcelle. Além das imagens de segurança, depoimentos de testemunhas ajudaram a reconstruir os últimos momentos da jovem e a identificar o deslocamento do acusado. A defesa de Qiu não foi localizada para comentar a condenação nas reportagens consultadas.