O cantor Netinho, conhecido nacionalmente por sucessos como “Milla” e “Beijo na Boca”, morreu nesta terça-feira (13), aos 60 anos, em Salvador. Em meio à repercussão da morte do artista, também voltou ao centro das atenções um episódio marcante de sua vida pessoal: em 2008, ele declarou ser bissexual e revelou ter vivido um relacionamento de três anos com um homem.
A revelação foi feita em entrevista à revista Quem. Na ocasião, Netinho afirmou gostar de “meninos e meninas” e disse que a relação havia sido uma experiência importante e bonita, mas que pertencia ao passado. O cantor também declarou que não se considerava homossexual e que se identificava como bissexual.
As declarações tiveram grande repercussão na imprensa brasileira. Poucos dias depois, Netinho concedeu entrevista ao jornal A Tarde para esclarecer o assunto. Ele confirmou que havia tido uma relação amorosa com outro homem e afirmou não se arrepender do que havia contado. O artista reclamou, no entanto, da forma como parte do conteúdo da entrevista original foi apresentada ao público.
Em 2010, após uma reportagem do programa Fantástico abordar sua sexualidade, Netinho voltou a criticar a exposição de sua vida privada. O cantor afirmou que não gostava de ser reduzido a rótulos e reiterou que poderia se relacionar afetivamente tanto com homens quanto com mulheres.
Anos mais tarde, porém, o artista passou a adotar um discurso público mais conservador e se aproximou do bolsonarismo. Em 2019, afirmou ser “bissexual, pai, família, conservador, digno e muito feliz”. Já em 2020, durante uma entrevista transmitida pelas redes sociais com Eduardo Bolsonaro, fez críticas à comunidade LGBTQIA+ ao comentar o apoio de parte desse grupo ao governo de Jair Bolsonaro.
Na conversa, Netinho disse que pessoas LGBT “enxergam a vida pela lente do fiofó” e relacionou a declaração a uma suposta falta de apoio ao então presidente. A fala provocou reações negativas e foi apontada como contraditória por internautas e representantes da comunidade, especialmente porque o próprio cantor havia tornado pública sua bissexualidade anos antes.
A trajetória de Netinho foi marcada por contrastes. O artista ganhou projeção no fim dos anos 1980, à frente da Banda Beijo, e consolidou carreira solo durante a explosão do axé music nos anos 1990. “Milla”, lançada em 1996, tornou-se um de seus maiores sucessos e um dos símbolos do gênero.
Nos últimos anos, Netinho enfrentou graves problemas de saúde. Diagnosticado com um linfoma não Hodgkin do tipo B, ele passou por sessões de quimioterapia e chegou a anunciar remissão da doença, mas sofreu uma recidiva em 2026. Segundo a equipe do cantor, o quadro evoluiu para falência renal e disfunção múltipla de órgãos. O velório e a cremação serão realizados de forma reservada, conforme desejo da família.






